O coordenador regional adjunto de Proteção e Defesa Civil, Renato Gouvea, confirmou neste sábado que o incêndio subterrâneo no depósito clandestino de entulhos na Vila Furquim, em Presidente Prudente, que estava ativo desde 12 de outubro do ano passado, foi finalmente extinto na tarde desta sexta-feira. Uma vistoria para verificar fontes de calor foi realizada com drone do 8º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) e apontou a redução da temperatura no local, que não apresentava mais mau cheiro, somente um pequeno foco de fumaça, que foi contido com emprego de maquinário pesado e caminhão-pipa.
“Vamos continuar monitorando o local para verificar se não teremos novos pontos de fumaça. A área segue interditada até que os trâmites judiciais sejam concluídos”, destaca Renato, que ainda anunciou que as aulas da Escola Sesi (Serviço Social da Indústria) serão retomadas normalmente já nesta próxima segunda-feira. “O prédio da unidade escolar foi liberado pelo MPT [Ministério Público do Trabalho] após vistorias da Defesa Civil e parecer técnico do Corpo de Bombeiros”, explica o coordenador.
Na manhã deste sábado, o próprio Sesi informou que recebeu autorização da Prefeitura e do MPT para retomar as aulas na próxima segunda-feira em sua unidade escolar. Lembrou a instituição que, até o final do ano letivo de 2025, os alunos dos ensinos Fundamental e Médio tinham sido realocados para o prédio da Toledo Prudente Centro Universitário, com o objetivo evitar o contato direto com a fumaça provocada pelo incêndio subterrâneo.
“Por meio de ofício, a Prefeitura ressaltou que não há prejuízo à saúde dos alunos, professores e colaboradores e que o terreno permanecerá interditado por tempo indeterminado. Além disso, reforçou que dará continuidade às ações de combate à fumaça e ao mau cheiro, caso ocorram novos focos de incêndio subterrâneo”, informou o Sesi.
“A partir desta documentação, somada à manifestação do Corpo de Bombeiros sobre a redução dos focos de incêndio, o MPT autorizou o retorno presencial, sem prejuízo de novas determinações de afastamento dos professores”, complementou. “O incêndio, que já perdurava desde outubro do ano passado, ocasionou diversos transtornos para o funcionamento da escola e do CAT [Centro de Atividades], como também para toda a população do entorno. Internamente, durante este período, o Sesi estruturou seu funcionamento, de acordo com a necessidade, para a proteção da saúde das pessoas”, detalhou a instituição.
“Pela gravidade dos impactos sanitários e ambientais, o Sesi colaborou ativamente para que a situação pudesse ser resolvida pelas autoridades competentes, assim como participou de reuniões e protocolou despachos oficiais, em busca de soluções eficazes e com a maior brevidade possível. O Sesi permanece acompanhando de forma contínua os desdobramentos das ações juntos aos órgãos responsáveis”, encerrou.
O incêndio
Foram mais de três meses de trabalho até a extinção completa do incêndio, em ações que demandaram aproximadamente 3,2 milhões de litros de água. Conforme noticiado em O Imparcial, desde o início do mês, equipes da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil e das secretarias municipais de Meio Ambiente, Obras e Agricultura atuavam de forma contínua na retirada de resíduos acumulados há anos na área que é localizada aos fundos da escola Sesi. Foram mais de mil metros cúbicos de material resfriados e removidos do local em cerca de duas semanas.
As atividades consistiam na escavação do solo com máquina escavadeira, resfriamento da massa de resíduos com caminhão-pipa e o transporte do material por caminhões basculantes. Todo lixo foi depositado em uma área previamente definida, considerada segura e sem risco de novos focos de incêndio. A operação foi coordenada pela Prefeitura de Prudente, por meio do Gabinete de Crises, comandado pelo vice-prefeito José Osanam Albuquerque Júnior (PL), com apoio direto da Defesa Civil.
A força-tarefa contou ainda com o apoio do Corpo de Bombeiros e foi acompanhada pelo Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente) de Presidente Prudente, por meio do promotor de Justiça Gabriel Lino de Paula Pires, que segue monitorando as ações realizadas no local.
O incêndio subterrâneo teve início em 12 de outubro de 2025, após um foco de chamas registrado na Mata do Furquim, em setembro do mesmo ano. Apesar de o fogo na vegetação ter sido controlado, os resíduos enterrados há anos acabaram entrando em combustão no subsolo, o que provocou a emissão de fumaça e mau cheiro, causando incômodo aos moradores da região. Desde então, diversas tentativas de contenção do problema foram realizadas.
Além das ações operacionais, pesquisadores também realizaram análises químicas do solo para identificar a presença de compostos e contribuir tecnicamente com o combate ao incêndio.

Foto: Defesa Civil
Vistoria com drone do 8º Baep apontou a redução da temperatura no local do incêndio

Foto: Defesa Civil
Máquina escavava solo para retirada e resfriamento de massa de resíduo