Novo ciclo: início de ano destaca importância da saúde mental e emocional com Janeiro Branco

Conforme psicóloga, ação é convite para população começar 2026 com consciência, equilíbrio e cuidado, criando bases mais saudáveis para meses que estão por vir

Saúde & Bem Estar - MELLINA DOMINATO

Data 24/01/2026
Horário 08:12
Foto: Freepik
Não buscar acompanhamento profissional pode ampliar sofrimento e afetar qualidade de vida
Não buscar acompanhamento profissional pode ampliar sofrimento e afetar qualidade de vida

Com o objetivo de alertar a população sobre a importância da saúde mental e emocional humana, é realizada neste mês a campanha Janeiro Branco. A psicóloga clínica e social, especialista em neuropsicologia e psicopedagogia, Ana Paula dos Santos Fonseca, de Presidente Prudente, explica que o início do ano é conhecido por marcar novos ciclos, metas e expectativas. Sendo assim, as pessoas geralmente estão motivadas a tentar algo novo, a buscar uma mudança de estilo de vida, propensas a pensar em cuidar mais de si. 

“Com isso, acredito que esse tema logo no início do ano pode ser desafiador e elencar alguns pontos-chaves para que a população tome consciência da importância a respeito da saúde mental, sendo assim um convite de forma coletiva para que cada um comece o ano com consciência, equilíbrio e cuidado, criando bases mais saudáveis para os meses que estão por vir”, frisa a especialista.

Ana Paula explica que saúde mental é o bem-estar emocional, psicológico e social, que permite que a pessoa lide com as demandas que surgem de forma a reconhecer o que estas lhe causam, conseguindo expressar emoções de forma saudável, tomando decisões necessárias para enfrentar os desafios de forma equilibrada, sem grandes prejuízos ao outro e com ela mesma. “Isso não significa ausência de problemas, mas sim a capacidade de lidar com eles de maneira saudável”, ressalta.

De acordo com a psicóloga, cuidar do emocional é “prestar atenção ao que se sente, pensa e aos comportamentos, reconhecendo seus limites, suas necessidades e buscando manter o equilíbrio entre corpo, mente e relações”. “É um processo contínuo que envolve atenção, autoconhecimento, acolhimento e responsabilidade consigo mesmo e com quem convive com você”, frisa.

Saúde emocional como prioridade

Ana Paula esclarece que saúde mental influencia diretamente todas as áreas da vida: pessoal, profissional, social e física. “Se a pessoa não estiver bem, nada vai bem. Sem equilíbrio emocional, qualquer atividade ou problemas a serem resolvidos, desde pequenos até mesmo grandes conquistas, podem perder o sentido ou se tornar fontes de sofrimento”, relata. “Ela é a base para irmos em busca de outras metas, é a saúde mental quem sustenta a motivação, a concentração, a tomada de decisões e a constância com que realizamos nossas obrigações e desejos. Quando ela está fragilizada, tudo se torna mais difícil, e manter o foco em qualquer objetivo se torna pesaroso ou até impossível”, complementa.

“A saúde emocional ser prioridade independente do período do ano. É um sinal de responsabilidade e inteligência emocional, no qual apenas a pessoa que consegue reconhecer a importância do seu próprio bem-estar tem a coragem de buscar esse caminho, pois ninguém pode tomar essa decisão por ele. É um ato de amor-próprio”, ressalta.

A especialista indica que outro fator importante é o alto índice de diagnósticos de burnout. “Ele está diretamente ligado à saúde mental, pois é uma resposta ao estresse crônico, especialmente no trabalho. Ele pode levar à ansiedade, depressão, irritabilidade, esgotamento emocional e queda da autoestima, prejudicando o bem-estar psicológico e a qualidade de vida”, aponta. “Fator importante para ser levado em consideração pelas empresas em ter um programa de trabalho voltado à saúde mental, o que nos leva à obrigatoriedade da NR -1 a partir do ano de 2026”, prossegue.

Como construir equilíbrio emocional 

Mudanças simples no dia a dia podem fazer uma grande diferença. Ana Paula orienta que pequenas atitudes consistentes e constantes ajudam a construir o equilíbrio emocional ao longo do tempo, como: cuidar do sono com horários regulares e qualidade; a pratica de atividade física; manter uma alimentação equilibrada; organização da rotina (essa alivia muito a sobrecarga e possibilita cumprir com as três citadas anteriormente); reservar momentos de lazer e descanso; compreender e expressar o que sente e não ficar guardando tudo, pois acaba se tornando uma bomba-relógio, porém ter a consciência em falar de forma a respeitar o espaço do outro também, pois não justifica para que você fique bem você faça o outro ficar mal.

“Estabelecer limites saudáveis e aprender a dizer não, bem como saber ouvir um não; não ficar se comparando ao que vê em redes sociais e, caso perceba que isso te causa ansiedade, insegurança ou sentimentos que te diminuam, reduzir o uso de redes sociais; praticar atenção plena com exercícios de respiração consciente. E, mais importante, sempre buscar apoio profissional quando necessário”, ainda elenca a psicóloga, que ainda pontua que cuidar da saúde mental também inclui reconhecer quando é preciso ajuda especializada. “É um processo contínuo que envolve constância, autocuidado e respeito aos próprios limites, tornando o dia a dia mais leve e equilibrado”, expõe.

Quando procurar um profissional?

Quando a pessoa percebe que suas emoções, pensamentos ou comportamentos estão causando sofrimento persistente ou interferindo na sua vida diária, este é o momento de buscar ajuda de um profissional, recomenda Ana Paula. 

São exemplos: emoções intensas ou constantes como tristeza, ansiedade, irritabilidade, medo ou angústia que duram semanas e não diminuem com o tempo; dificuldade para lidar com situações do dia a dia; alterações nas rotinas básicas como sono e apetite; isolamento social, afastamento de pessoas queridas, queda no rendimento escolar ou profissional; pensamentos negativos recorrentes; confusão mental, esquecimentos frequentes ou dificuldade em ter ou manter foco; dores de cabeça, tensão muscular, problemas gastrointestinais relacionados ao emocional; aumento no consumo de álcool, medicamentos ou outras substâncias para aliviar emoções; a vivência de perdas, traumas ou mudanças significativas.

“É importante lembrar que não é preciso ‘estar no limite’ para buscar ajuda. A escuta profissional também é um espaço de prevenção, autoconhecimento e fortalecimento emocional”, enfatiza a psicóloga.

Malefícios da fatal de acompanhamento

A especialista revela que, quando o sofrimento emocional é ignorado ou minimizado, pode-se ter o agravamento dos sintomas emocionais: ansiedade, depressão, estresse. “O que poderia ser cuidado de forma pontual pode se tornar um problema prolongado, mais difícil de manejar e de tratar. Sofrimentos emocionais não cuidados podem somatizar e se manifestar fisicamente em dores, problemas cardiovasculares, gastrointestinais, baixa imunidade e fadiga constante”, alerta.

Ainda segundo Ana Paula, quando não estamos bem mental e emocionalmente, podemos entrar em conflitos pessoais, buscando o isolamento social, tendo uma comunicação agressiva ou até mesmo distanciamento afetivo, além da queda do desemprenho profissional ou acadêmico, com falta de concentração, desmotivação, absenteísmo e baixa produtividade são consequências frequentes. 

“Existe o risco do aumento abusivo de álcool e outras substâncias, compulsões, impulsividade e automedicação podem surgir como tentativas de aliviar o sofrimento. Assim como a redução da autoestima e da autoconfiança com sentimentos de incapacidade, culpa e autocrítica excessiva”, declara.

“Em casos mais severos, a falta de acompanhamento pode levar a crises intensas, pensamentos autolesivos ou ideação suicida. Não buscar acompanhamento profissional quando necessário pode ampliar o sofrimento e afetar profundamente a qualidade de vida. O cuidado em saúde mental não deve ser visto como última opção, mas como prevenção, apoio e promoção de bem-estar”, finaliza a especialista.

Cedida


Psicóloga clínica e social, especialista em neuropsicologia e psicopedagogia, Ana Paula dos Santos Fonseca

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