Na primeira biofábrica do método Wolbachia do Estado de São Paulo inaugurada no Jardim Everest, em Presidente Prudente, em julho de 2025, a soltura dos wolbitos, mosquitos infectados com a Wolbachia, que se reproduzem com os Aedes aegypti locais e, aos poucos, vão estabelecendo uma nova população que não transmitirá dengue e outras arboviroses, estava na 21ª semana, na sexta-feira, dia 19 de dezembro. A informação é da WMP Brasil (World Mosquito Program), iniciativa internacional sem fins lucrativos que trabalha para proteger a comunidade global das doenças transmitidas por mosquitos, responsável pelo método, que indica que tal fase de liberação será realizada ao longo de 28 semanas.
“Os resultados da implementação do método podem ser observados cerca de dois anos após o encerramento das solturas dos wolbitos”, explica o WMP. Ou seja, a expectativa é de que os reais benefícios da iniciativa sejam divulgados em fevereiro de 2028.
“Após a conclusão das liberações continuamos acompanhando o estabelecimento da Wolbachia na população de mosquitos do local”, informa o programa. Como noticiado neste diário, a bactéria Wolbachia está presente em 60% dos insetos da natureza e não causa danos aos humanos, impedindo que os vírus, não só da dengue, mas de zika, chikungunya e febre amarela urbana, se desenvolvam nos insetos e contribuindo para a redução das doenças.
Na época da inauguração da biofábrica, a gestora de projetos do método e representante da WMP Brasil, Ana Carolina Rabello, revelou que, nas cidades que já tinham sido contempladas com o método havia ocorrido uma redução significativa das arboviroses, notadamente a dengue, em pelo menos 70%. Na ocasião, ela explicou que a unidade local tem capacidade para produzir o ciclo quase completo, com apenas os ovos sendo enviados do Rio de Janeiro, já com a bactéria Wolbachia. “Todas as outras etapas são produzidas aqui, da eclosão dos ovos até a formação do mosquito adulto. Lembrando que não há nenhum processo de modificação genética. O método é seguro, eficaz e natural”, expôs.
As liberações são feitas em parceria com Estado e município, enquanto a implantação da biofábrica se deu por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a Prefeitura. O município cedeu o espaço, no Jardim Everest, que foi todo revitalizado e equipado. Com aproximadamente 400 metros quadrados, a unidade conta com salas de triagem, larvas, tubos, lavagem, estoque e refeitório. É nesse espaço que profissionais capacitados realizam as etapas finais do método, incluindo a eclosão dos ovos dos mosquitos com Wolbachia e a montagem dos tubos para liberação em campo.
Divulgação/WMP Brasil

Ao fim das liberações, WMP acompanha estabelecimento da Wolbachia na população de mosquitos
Divulgação/WMP Brasil

Primeira biofábrica do método no Estado foi inaugurada em Prudente, em julho, com soltura de wolbitos