Deolane Bezerra é presa por lavagem de dinheiro de facção criminosa em investigação da Polícia de Venceslau

Ação conjunta do Deinter-8 com MPE também cumpriu mandados de prisão contra Marcola, considerado chefe da facção, e parentes dele

REGIÃO - DA REDAÇÃO

Data 21/05/2026
Horário 08:46
Foto: Deinter-8
Operação que prendeu influenciadora digital também possui desdobramentos internacionais
Operação que prendeu influenciadora digital também possui desdobramentos internacionais

A influenciadora Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira na operação conjunta do Deinter-8 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior), através da Polícia Civil de Presidente Venceslau, e do MPE (Ministério Público Estadual). 

De acordo com a Folhapress, a suspeita é de lavagem de dinheiro de uma facção criminosa por meio de uma transportadora de fachada. Ela foi detida, no início da manhã, no condomínio em que mora, em Barueri, na região metropolitana de São Paulo.

A Operação Vérnix também cumpriu mandados de prisão contra Marco Herbas Camacho, o Marcola, considerado o chefe da facção, e parentes dele. Marcola já está preso em uma unidade de segurança máxima no Distrito Federal.

O advogado Rogério Nunes, que defende Deolane, disse que assim que se inteirar do caso vai se manifestar. Já Bruno Ferullo, que defende Marcola, seu irmão e uma sobrinha, todos alvos de mandados de prisão na ação desta quinta, afirmou que emitirá uma nota assim que tiver mais informações a respeito da operação.

Foram decretadas seis prisões preventivas, bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de quatro imóveis vinculados aos investigados.

Além de Deolane, foi preso o suposto operador financeiro da organização e uma sobrinha de Marcola foi detida na Espanha. A polícia também cumpriu mandado de prisão contra um irmão de Marcola, que está preso.

De dentro da PII 

Segundo a polícia, a ação é resultado de uma investigação sobre uma engrenagem financeira usada para ocultar, dissimular e reinserir na economia formal valores vinculados à alta cúpula da facção. A investigação começou em 2019, quando bilhetes foram apreendidos pela Polícia Penal na Penitenciária II de Presidente Venceslau, com dois presos.

Por meio do material foi possível reunir informações sobre a dinâmica da facção, inclusive sobre a atuação de lideranças presas e possíveis ataques a autoridades. Três inquéritos foram abertos para investigar as suspeitas. De acordo com a polícia, a análise do material apreendido com os dois presos possibilitou a identificação de ordens internas da facção, contatos com integrantes da alta hierarquia e menções a atos violentos contra servidores públicos.

Um dos trechos analisados mencionava uma “mulher da transportadora” que teria sido responsável pela informação de endereços de agentes públicos, alvos de ataques planejados.
Um segundo inquérito procurou identificar quem é essa mulher e qual é a relação dela com a transportadora da facção. Os investigadores chegaram a uma empresa de transportes de Presidente Venceslau que seria usada para lavagem de dinheiro.

Em uma das operações sobre esse fato, chamada Lado a Lado, um celular foi apreendido e deu origem a uma nova investigação, a partir de conversas de pessoas ligadas à cúpula da facção, além de indícios de repasses financeiros e conexões com a influenciadora, que teria vínculos pessoais com um dos gestores fantasmas da transportadora.

Lavagem de dinheiro

A operação desta quinta é baseada em um suposto esquema de lavagem de dinheiro, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras. A investigação chegou até Deolane depois de identificar a ligação dela com o operador financeiro. Ele é apontado pela polícia como gestor indireto da transportadora Lado a Lado, suspeita de pertencer à facção.

Segundo a polícia, a facção colocava na transportadora o dinheiro arrecadado com atividades criminosas, que depois eram repassados para outras pessoas. O operador era o responsável por indicar quem deveria receber a parte referente ao irmão de Marcola, principal líder da facção, diz a investigação.

A ordem era dada para um indivíduo, que figura junto com a esposa como proprietários legais da Lado a Lado. Os policiais afirmam que parte desse dinheiro foi depositado em contas de Deolane.
A quebra dos sigilos bancários, diz a investigação, demonstrou que Deolane movimentou milhões em nome da facção, emprestando sua estrutura financeira e “aparente respeitabilidade social” colocar o dinheiro do crime organizado no sistema financeiro formal.

Ainda segundo a investigação, a transportadora, apesar de estar no nome do casal, foi criada pela própria facção e é dirigida por Marcola e seu irmão. No período investigado, a transportadora movimentou mais de R$ 20 milhões, um valor considerado incompatível com as receitas declaradas.

O casal já foi condenado na Justiça e é considerado foragido. De acordo com a polícia, eles estão escondidos na Bolívia e são alvos de mandados de prisão. Um celular apreendido na casa do casal em uma operação anterior tinha conversas via Telegram que mostravam como o esquema funcionava.
Marcola determinava as providências, traçava estratégias e estabelecia a divisão dos lucros da transportadora, diz a polícia. As ordens eram transmitidas por terceiros. Seu irmão, também preso, dirigia a empresa e determinava a compra de caminhões.

A sobrinha de Marcola foi presa na Espanha. Ela quem recebia as ordens do pai em visitas no sistema penitenciário federal e repassava ao casal, segundo a polícia. Ela também controlava a parte do dinheiro que destinada ao pai e orientava a divisão e a transferência dos valores. O irmão dela é um dos beneficiários da divisão dos lucros da facção. Ele recebia 30% dos valores por ordem do pai.

Foto: Deinter-8
Operação Vérnix cumpriu mandados de prisão na manhã desta quinta-feira

 

 

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