Imagine que você seja “um privilegiado” que possa almoçar e jantar todos os dias numa churrascaria, servindo seu prato com metade ou dois terços dele com carnes em todas as refeições. Seria bom para sua saúde? Ou imagine que você seja “um privilegiado” praticante de musculação e receba gratuitamente e sem limites suplementos de proteínas (ex. whey protein), podendo consumir 50, 100, 150g ou mais desses suplementos todos os dias, além da alimentação. Seria bom para seus músculos e saúde?
NECESSIDADE PROTEICA
A maioria absoluta das pessoas precisa consumir diariamente 1 a 1,5 g/Kg/dia de proteína, provindas dos alimentos (e suplementos, para quem os consome). Significa que uma pessoa de 70Kg que seja sedentária, precisa de 70 g/dia de proteínas. Se essa mesma pessoa praticar musculação, corrida ou outro treinamento, precisará, no máximo, de 105 g/dia de proteínas. Pessoas que precisam de mais que 1,8 ou 2 g/Kg/dia, em geral são atletas (treinamento prolongado e intenso) e são exceções.
HIPERPROTEICA
Dietas cuja quantidade de proteínas ultrapassa 1,8 ou 2 g/Kg/dia (incluindo como fontes carnes, ovos, suplementos e outros) são consideradas hiperproteicas, ou seja, possuem excesso de proteínas. Isso é um desperdício e pode se tornar um problema, pois há uma “regra metabólica” de que corpo não utiliza/aproveita as proteínas de acordo com a quantidade consumida. O corpo aproveita as proteínas consumidas de acordo com sua demanda, ou seja, se o corpo precisa de 70 g/dia para produção de suas próprias proteínas e você está consumindo 120 g/dia, o excedente de 50g está sendo descartado.
ARMAZENAMENTO ZERO
As dietas cetogênica, paleolítica, carnívora, algumas low carb e outras são pobres em carboidratos (CHO) e ricas em proteínas e gorduras, sendo consideradas hiperproteicas. Em geral, o consumo de proteínas nestas dietas excede a necessidade. Outra “regra metabólica” é que as proteínas não são armazenadas no corpo, ao contrário dos CHO (glicogênio) e das gorduras (triglicerídeos). As proteínas consumidas são usadas de imediato (ao longo de poucas horas) ou são processadas pelo fígado e rins, e descartadas na urina. Se esse processo for crônico, a sobrecarga nestes órgãos se torna problema.
ADAPTAÇÃO METABÓLICA
Várias pessoas adotam as dietas mencionadas acima com objetivo de emagrecimento ou por acreditarem “erroneamente” que são mais saudáveis e até melhoram o desempenho nos treinamentos e competições. É verdade que o corpo/metabolismo é apto a se adaptar ao consumo pobre de CHO e rico de proteínas/gorduras permitindo a sobrevivência. Mas é verdade também que ninguém pode viver sem glicose, por isso, pessoas que consomem pouco CHO aprimoram a capacidade de produzir a própria glicose (fígado e rins). Porém, para treinamentos e competições prolongadas realizadas por atletas de alto desempenho, isso não é nenhuma vantagem.
DEPENDÊNCIA DE CHO
O consumo excessivo de proteínas compensa a pobreza de CHO apenas parcialmente. Não se iluda com os ultra-altletas que optam por dietas hiperproteicas. O desempenho deles não é excepcional por causa exclusivamente da dieta, mas sim pelo treinamento e a genética superior para ultra-endurance. Pode verificar que a maioria dos ultra-atletas com excelente desempenho consome muito CHO nos treinamentos e competições, pois essa é a preferência metabólica e necessidade dos músculos.
Uma “regra metabólica” é que as proteínas não são armazenadas no corpo, ao contrário dos CHO (glicogênio) e das gorduras (triglicerídeos).
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Referências
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