Ed Thomas: “Decreto é para preservar vidas e a economia

No início da tarde de ontem, a Prefeitura de Prudente publicou o dispositivo 32.085, que trata sobre novas medidas para combater a disseminação da Covid-19 

PRUDENTE - WEVERSON NASCIMENTO

Data 11/06/2021
Horário 03:45
Foto: Arquivo/ Weverson Nascimento
Documento foi publicado pela Prefeitura no início da tarde de ontem
Documento foi publicado pela Prefeitura no início da tarde de ontem

No início da tarde de ontem, a Prefeitura de Presidente Prudente publicou o Decreto 32.085, que dispõe sobre novas medidas para combater a disseminação da Covid-19 no município. O documento sucede a reunião realizada entre os prefeitos da Unipontal (União dos Municípios do Pontal do Paranapanema) visando à tomada de medidas em conjunto face à realidade atual enfrentada pelos municípios. À reportagem, Ed Thomas (PSB) diz que decreto veio “para preservar primeiramente a segurança e a vida das pessoas, e depois a preservação da economia na cidade”. “Nós buscamos um equilíbrio dentro do decreto”, diz.
O prefeito também diz que a primeira medida que tem que ser tomada é quanto à responsabilidade, o chamado lockdown de consciência. “Nós vínhamos bem! Prudente tinha o menor índice de contaminação pelo esforço que o município fez”, detalha o chefe do Executivo. Dentre as medidas listadas por ele está a das UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) ficarem apenas para o atendimento de pacientes com Covid-19, e o PA (Pronto-Atendimento) do Jardim Santana específico para o atendimento de outras comorbidades. “Fizemos isso para não misturar as pessoas e acabou dando certo”, afirma. 
No entanto, um agravante citado por ele é que alguns munícipes acreditam que a pandemia acabou e que o vírus não circula mais. “Há um relaxamento e uma irresponsabilidade porque as festas continuaram”, explica. “Prudente aberta depende da responsabilidade das pessoas e da não aglomeração”, acrescenta.
Ed Thomas também reforça a necessidade de empatia das pessoas para entender o decreto. Isso porque, segundo ele, é necessário pensar nas mais de 700 pessoas que perderam a vida em decorrência da doença na cidade, e nas outras que querem sobreviver e precisam trabalhar. “A responsabilidade da população nesse instante é a de cuidar de si e dos outros. A gente respeita aqueles que podem ficar em casa e aqueles que precisam trabalhar, mas é necessária a colaboração de todos”. 

“PRUDENTE ABERTA DEPENDE DA RESPONSABILIDADE DAS PESSOAS E DA NÃO AGLOMERAÇÃO”
Ed Thomas
 

O sistema de saúde já sofre as consequências do desrespeito às regras, detalha o chefe do Executivo. Este agravamento, inclusive, foi recentemente relatado pela reportagem de O Imparcial. Conforme levantamento feito pela Prefeitura de Presidente Prudente na tarde desta quarta-feira, 81 pacientes com Covid-19 aguardavam transferência via Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), das UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) para hospitais. Destes, 11 estavam intubados à espera de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
“É um momento muito difícil e todos estão vulneráveis, pois o sistema de saúde está carregado e as pessoas precisam compreender isso”, diz Ed Thomas.   

As medidas de enfrentamento

Na quarta-feira, o prefeito e representantes da sociedade civil e da Saúde em Prudente participaram de uma reunião com o MPE (Ministério Público Estadual) para tratar sobre as medidas de enfrentamento e avanço da pandemia. Nesta semana, houve uma “recusa” de prefeitos que fazem parte da Unipontal (União dos Municípios do Pontal do Paranapanema) frente à instauração do lockdown em Prudente e região, recomendado pelo MPE e DRS-11 (Departamento Regional de Saúde). Contudo, ficou decidida a publicação de um decreto com medidas mais restritivas, documento este que foi publicado pelo Executivo de Prudente no início da tarde de ontem.
Ed Thomas também diz que ficou acordado dele, como presidente da Unipontal, solicitar uma audiência junto ao secretário estadual de Saúde, Jean Carlo Gorinchteyn, para tratar da viabilidade de um hospital de campanha. Um ofício também deverá ser entregue ao governador do Estado, João Doria (PSDB), e ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), solicitando um aporte ao município e região. 
Recentemente, a Secretaria de Estado da Saúde informou que tem atuado com gestores municipais para salvar vidas e fortalecer a assistência. Neste sentido, detalha que o Estado repassou à região mais de R$ 11,5 milhões para combate à pandemia desde o ano passado, além de ter enviado 138 cilindros de oxigênio, 66 respiradores e dez concentradores para atendimento aos casos graves. Estas medidas permitiram, segundo a pasta, a ampliação de leitos de terapia intensiva, que saltaram de 80 para 195 leitos de UTI na região, e há também 450 clínicos exclusivos para Covid-19. “A dificuldade do abastecimento de gases medicinais persiste e impacta o andamento da adaptação do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Dracena como hospital de campanha, mas a pasta segue dedicada a isto”, expõe. 
A secretaria ainda pontou que a ativação de novos leitos não é prerrogativa exclusiva do Estado, mas também da União e das prefeituras.

 


 

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