Educação e lusofonia V

António Montenegro Fiúza

«É sonho ver um dia
A música e a poesia
Sobreporem-se às armas
Na luta por um ideal
E preconizar
A lusofonia
Na diplomacia universal»
Martinho da Vila

Das várias práticas culturais existentes, a música merece um lugar de destaque, a nível mundial: os sons e os silêncios misturam-se, expressando sonhos, desejos, medos, ansiedades, sentimentos e emoções; revelam dores e as cobrem com o manto da esperança. A música é uma linguagem tão plena e universal que não carece de palavras para que seja compreendida e vivida por diferentes pessoas, separadas no período temporal ou na geografia.
Cada povo e cada etnia têm a sua musicalidade particular e não se conhece comunidade que não possua manifestações musicais distintas! De acordo com as condições climáticas e os recursos materiais disponíveis, produzem-se instrumentos musicais diferenciados, característicos e peculiares; o espaço lusófono é espelho dessa diversidade artística, com instrumentos tão singulares como sejam: a guitarra portuguesa ou a tina guineense, a rabeca cabo-verdiana, passando pela puíta santomense, o pandeiro brasileiro, o bavugu angolano, o babadok timorense e o chitende moçambicano.
A lusofonia é, ainda, espaço para uma multiplicidade opulenta de manifestações musicais, com um leque variado de estilos musicais e com inúmeros cantores e instrumentistas reconhecidos a nível mundial, os quais levaram a língua portuguesa e as suas variantes regionais, para os mais altos patamares da cultura mundial. 
Da música tradicional de cada país à música moderna, os sons da lusofonia se misturam e entrelaçam-se e, cada vez, artistas de países irmãos – unidos por laços de sangue e de língua, desenvolvem criações artísticas agregadoras de significado, de exuberância e de afeto. Alcione, sambista brasileira, cantou “Chuva Amiga” de Amílcar Cabral e expressou os desejos do povo cabo-verdiano para que chovesse e alegrasse os seus campos e alimentasse a sua nação. Ana Moura, fadista, chora as saudades do seu amado, que viajou para o Brasil e aculturou-se, ganhando o jeitinho brasileiro e o “açúcar com canela nas vogais”. 
Martinho da Vila cantou a lusofonia e um mundo de harmonia e diplomacia mundial, com base na irmanação das nações, mas esta língua, esta alma de um povo que são povos de vários continentes, é cantada todos os dias, é celebrada a toda hora e sempre que a escutarmos na rua, nas casas, nos bairros e nas escolas. 
 

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