Em 3 meses, índice de aleitamento materno exclusivo alcança 84,9% no HR

Entre as 337 mamães que tiveram seus bebês no hospital no 1º trimestre, 286 dedicaram-se à prática, sem uso de fórmulas nutricionais

PRUDENTE - DA REDAÇÃO

Data 20/04/2021
Horário 15:22
Foto: AI HRPP
Crianças amamentadas estão menos propensas a desenvolver infecções e doenças
Crianças amamentadas estão menos propensas a desenvolver infecções e doenças

Os índices de aleitamento materno estão aumentando no HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo, em Presidente Prudente. Conforme levantamento realizado na unidade, entre as 337 mamães que tiveram seus bebês no hospital nos primeiros três meses deste ano, 286 dedicaram-se à amamentação exclusiva aos pequenos, ou seja, cerca de 85%.

Segundo o médico pediatra e neonatologista Murilo Sabbag Moretti, este é um índice que vem se elevando nos últimos anos. “É um trabalho conjunto com a equipe médica e multiprofissional no Hospital Regional. Durante todo o ano de 2019, das 1.151 mamães que passaram pelo HR, 800 aderiram somente ao leite materno, totalizando 69,5%. Já no ano passado, este número saltou para 76,8%, tendo em vista que, das 948 mamães que tiveram seus filhos na unidade, 728 dedicaram-se ao leite materno exclusivamente, sem uso de fórmulas nutricionais”, diz.

Além disso, Murilo ressalta que crianças amamentadas têm menos alergias, infecções, diarreias, doenças respiratórias virais e bacterianas. “Estes pequenos possuem menores chances de desenvolver diversas doenças, e, apesar de não existir ainda nenhum estudo específico comprovado e conclusivo em relação à Covid-19 e o leite materno, sabemos que ele é rico em anticorpos, que são responsáveis pelas defesas do organismo contra as doenças infectocontagiosas”.

Leite padrão ouro

O leite materno é o “padrão ouro” da alimentação, é o alimento mais completo para o bebê e tem tudo que ele precisa para se desenvolver de forma saudável até os seis meses de vida. De acordo com a enfermeira coordenadora do setor de Ginecologia e Obstetrícia da unidade, Daniela Primolan, a partir dos seis meses, a orientação é para que o bebê continue mamando até os dois anos ou mais e seja introduzida a alimentação complementar saudável.

“É um trabalho de ‘formiguinha’ que se inicia ali no Centro Obstétrico. Na primeira meia hora de vida, já colocamos este bebê para amamentar e estendemos esta orientação e incentivo até o momento da alta”, explica.

Empoderamento da amamentação

Para a fonoaudióloga Mariana Passos Rodrigues, a amamentação também empodera a mulher, pois é um ato legítimo que tem um impacto importante para a saúde como um todo. “Aqui no HR, a fonoaudiologia atua diretamente no manejo clínico das dificuldades que a puérpera possa encontrar neste processo em relação à pega adequada, postura, função de sucção etc. Nós também incentivamos as mamães a doarem leite para o Banco de Leite Humano do município, pois o leite materno é importante para os bebês, principalmente para aqueles que estão internados e não podem ser amamentados pela própria mãe. É importante frisar que o aleitamento materno constrói um vínculo afetivo enorme para mãe e filho e estamos aqui para reforçar ainda mais este laço”, enfatiza.

Amor que não cabe no peito

Sabrina Aguiar de Carvalho, moradora de Irapuru, se tornou mamãe da recém-nascida de três dias Raabe Carolini e, segundo ela, até o momento o leite materno tem sido exclusivo e em livre demanda para a bebê. “Tive o meu primeiro filho e não consegui amamentar por ele ter ficado um bom tempo internado em incubadora, e, na fase de relactação, eu já não tinha mais o meu próprio leite para alimentá-lo. Eu acho importante a amamentação exclusiva, porque o leite possui muitas vitaminas para o recém-nascido e isso reforça a imunidade da criança para crescer de forma saudável”, finaliza.

Cuidados com as mamas

Conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia, as mamas devem ser preparadas para a lactação durante a gravidez e alguns cuidados básicos devem ser tomados:

  • Use sempre sutiã. Este deve sustentar as mamas por inteiro e de forma confortável. O sutiã não deve apertar as mamas;
  • Massageie as mamas durante o banho, fazendo movimentos circulares e suaves. Da mesma forma, pode ser realizada após o banho com uma toalha macia. Não utilizar óleos, cremes etc., pois, além de as substâncias serem absorvidas, há o risco de alergia cutânea. Evitar o uso excessivo de sabão na região da aréola;
  • Realize exercícios para fortalecer a aréola e a papila (bico do seio). Estes podem ser realizados puxando levemente a aréola para os lados de forma retilínea e circular. Puxe a papila levemente, fazendo movimentos para frente e circulares;
  • Exponha ao sol a região areolar durante aproximadamente 15 minutos por dia, antes das 10 horas da manhã ou após as 16 horas;
  • Após o parto, durante o período de amamentação, alguns cuidados também devem ser tomados para facilitar o aleitamento e evitar complicações que podem levar à suspensão do mesmo;
  • Escolha uma posição confortável para dar de mamar;
  • Verifique se a aréola está macia. Passe o próprio leite na aréola e na papila;
  • Ofereça sempre as duas mamas. Começar sempre pela mama na qual terminou a última mamada;
  • Ofereça a mama ao bebê com cuidado, para que ele abocanhe parte da aréola e não só a papila;
  • Após cada mamada a mãe deve verificar se as mamas ainda estão cheias. Nesses casos, deve massageá-las com movimentos circulares, começando pela aréola e se estendendo por toda a mama. O leite residual pode e deve ser retirado por meio de expressão manual ou alguma bomba tira-leite.

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