Energia desviada, prejuízo coletivo

EDITORIAL -

Data 05/02/2026
Horário 04:15

Os números divulgados pela Energisa Sul-Sudeste sobre o combate a ligações clandestinas e fraudes no sistema elétrico da região de Presidente Prudente acendem um alerta que vai muito além das estatísticas. Em 2025, foram detectadas 319 irregularidades nos 24 municípios atendidos pela concessionária, resultando no desvio de mais de 1 milhão de kWh de energia — volume suficiente para abastecer mais de 6 mil famílias por um mês inteiro. O prejuízo financeiro ultrapassa R$ 985 mil, mas o impacto real é ainda maior e recai sobre toda a sociedade.
O furto e a fraude de energia não são práticas inofensivas, como alguns insistem em tratar. Além de configurarem crime previsto no Código Penal, colocam em risco a segurança de moradores, trabalhadores e do próprio sistema elétrico. Instalações irregulares aumentam significativamente as chances de curtos-circuitos, incêndios e acidentes fatais, especialmente em áreas residenciais e comerciais densamente ocupadas.
Diante desse cenário, é positivo observar o investimento da concessionária em tecnologia, sistemas inteligentes e equipes especializadas, bem como a atuação conjunta com as polícias Civil e Militar. A fiscalização rigorosa é necessária e cumpre um papel fundamental na proteção da coletividade. No entanto, a repressão, sozinha, não resolve um problema que também tem raízes culturais e sociais.
Há ainda um aspecto muitas vezes ignorado: quem furta energia não prejudica apenas a empresa concessionária. Pela legislação vigente, o custo da energia desviada é diluído nas tarifas e acaba sendo pago por todos os consumidores. Ou seja, o cidadão que mantém suas contas em dia é penalizado duplamente — paga pelo serviço e também pela irregularidade alheia.
Combater o furto de energia é, portanto, uma questão de justiça social, segurança pública e responsabilidade coletiva. Exige fiscalização firme, punição aos infratores e, sobretudo, conscientização da população. Energia elétrica é um bem essencial, mas não pode ser tratada como um recurso sem dono ou sem custo. Quando alguém burla o sistema, toda a comunidade paga a conta.
 

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