Enquanto não passa

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 18/10/2020
Horário 04:55

“Levai os fardos uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo.” (Gálatas 6,2)
Pessoas se mostram vencidas pelo cansaço, outras enxergam o fosso social do país. O olhar amplo ou apenas individual/individualista revela-se nas opiniões cujo bem comum nem sempre é considerado. Sem negar o medo, a histeria, a polarização e politização da pandemia, a consciência sobre ela ainda parece incipiente. Na pressa, muitas se associaram ao “vai passar” sem considerar que é preciso antes viver o presente, a travessia do túnel. Da miríade de perguntas possíveis não se deveria apressar nas respostas, pois a sua busca movimenta a vida. E as muitas perguntas surgem de olhar em derredor, talvez, dentro da própria casa ou da instituição a qual se pertence.
Pesquisa do Datafolha realizada na primeira semana de setembro mostrou que “96% dos brasileiros têm o desejo de ser mais solidário e buscam realizar ações para fazer o bem e promover um futuro melhor, mas muitas vezes não sabem como colocar essa solidariedade em prática”. Apesar da intenção de ser mais solidário, “apenas 27% efetivamente se envolvem hoje em ações coletivas organizadas. A maioria (68%) age de forma individual e pontualmente” e “apenas três em cada dez citações associam ações de solidariedade com atitudes coletivas, como ações para o bem estar comum, ajuda a instituições”. Reportagem da Folha de S.Paulo afirma que “praticamente todos os brasileiros declararam que costumavam praticar pelo menos uma ação de solidariedade antes da pandemia”, entretanto, “um fato curioso é que o brasileiro se enxerga solidário (92%), mas a percepção é menor quando se olha para o outro (68% não consideram o próximo solidário).”
A Doutrina Social da Igreja conhece quatro princípios que possibilitam a apreensão do conjunto da realidade social do homem e de sua realização na verdade. Considera-se aqui o princípio da solidariedade que, nas palavras de Bento XVI, “consiste primariamente em que todos se sintam responsáveis por todos”, exprimindo a dimensão social da pessoa. Ninguém pode viver apenas para si; é sempre dependente dos outros, e não apenas para experimentar uma ajuda prática. Destarte, as opções: “eu quero ser solidário”; “eu sou solidário”; “eu acho as pessoas não-solidárias” funcionariam como uma carteira de identidade. Das ações possíveis, individual ou sócio-comunitária, deveria prevalecer a segunda, afinal, a gota d’água faz diferença no mar, o graveto na fogueira e o indivíduo é muito mais forte no grupo. O que é possível fazer hoje para alcançar o bem comum? Faça!
Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!
 

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