Ensino médio ainda tem que melhorar

OPINIÃO - Mauro Bragato

Data 22/09/2020
Horário 04:59

O ensino médio pode ser considerado a "ponte de transição” entre a educação básica e o ensino continuado de um indivíduo. Trata-se de um momento que oferece a oportunidade aos jovens de aprender a agir e a discernir sobre suas melhores escolhas para a vida pessoal e profissional.
Em meio à crise que a Educação vive por causa da pandemia da Covid-19, uma notícia boa foi disseminada: o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) registrou que o ensino médio do país teve o maior crescimento da história. Em 2019, a nota foi de 4,2 (0,4 a mais do que em 2017). 
De acordo com o Ideb, todas as redes estaduais também aumentaram suas notas nas disciplinas de português e matemática. Porém, mesmo com o aumento, o desempenho foi abaixo da meta. O Estado de São Paulo melhorou na nota, mas ainda é o quarto no ranking nacional.
A pandemia ainda trouxe desafios extras para melhorar índices de aprendizagem entre crianças e adolescentes. Além da dificuldade de assimilar o conteúdo por aulas remotas e recuperar eventuais defasagens na retomada de aulas presenciais, o crescimento da evasão escolar é um perigo eminente. 
O Censo Escolar de 2019 contabilizou 47,9 milhões de matrículas em 180,6 mil escolas. Os dados mostram ainda que o total de matrículas do ensino médio segue tendência de queda nos últimos anos. O poder público não pode fechar os olhos.
A reforma do ensino médio, aprovada em 2017, com o objetivo de modernizar e flexibilizar o currículo na etapa, ainda não foi colocada em prática e tem sido ignorada pelo governo federal. 
Por outro lado, o Poder Legislativo também tem sua responsabilidade para melhorar esse segmento da educação. Estou trabalhando para fomentar a educação entre os jovens e evitar a evasão escolar em São Paulo. No final de agosto, apresentei uma PEC (Proposta de Emenda Parlamentar) para tornar o ensino médio obrigatório no Estado de São Paulo. 
A intenção é que o poder público assuma a responsabilidade pela manutenção, expansão e obrigatoriedade do ensino médio, público e gratuito aos jovens e adultos que não tiveram acesso.
A obrigatoriedade pode ser um avanço no planejamento do ensino. É preciso investir na infraestrutura das escolas, valorizar professores, garantindo melhores condições de trabalho, salários mais altos e mais capacitação. Modificar o currículo da etapa para tornar as aulas mais interessantes e atrativas são algumas das necessidades apontadas para melhoria do ensino.
Neste sentido, estou trabalhando em sintonia com o governo do Estado de São Paulo para fomentar a educação da rede pública no Estado, buscando recursos para melhorar a infraestrutura das escolas, capacitar educadores e ajudar a garantir que São Paulo avance nos próximos índices. Sem ensino de qualidade não formamos pessoas e profissionais mais capacitados.

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