A noite de segunda-feira (30), na Câmara Municipal de Presidente Prudente, tinha tudo para ser uma celebração técnica do empreendedorismo. O homenageado era Cláudio Bispo, o homem que comanda cinco hotéis: o primeiro Itaverá, em Presidente Epitácio, três hotéis em Presidente Prudente e o quinto hotel, uma unidade recém-inaugurada há apenas 10 dias em Campo Grande (MS). Porém, o empresário que subiu à tribuna não era o "gigante da hotelaria", mas um homem atravessado pela dor.
Abalado e em lágrimas, Cláudio dedicou sua honraria a Júlio Nietz, seu primeiro funcionário e fiel escudeiro por décadas, falecido no último sábado. "Eu nunca sofri tanto. Ele não era um funcionário, era como um filho", desabafou Cláudio, revelando que a base do seu império foi construída sobre a lealdade de um homem que, nos dias de crise em Presidente Epitácio, lhe entregou cheques em branco para que ele não sucumbisse aos cobradores.
Com um relato sincero de quem conheceu a escassez, Cláudio relembrou como Presidente Prudente foi sua "salvação". Ele narrou os tempos difíceis em que observava o vigor da cidade enquanto seu patrimônio minguava só com o primeiro Itaverá. Em 2014, ao abrir seu segundo hotel Itaverá – agora em Presidente Prudente, próximo ao terminal rodoviário, ele usou a sabedoria para acolher, em vez de expulsar, as pessoas que já ocupavam a calçada.
"Eu me apresentava e pagava o valor que elas ganhariam na noite para que fossem para casa descansar. Dei café, comida e cuidei delas. E Deus foi me administrando", relembrou. Hoje, o Grupo Itaverá é sinônimo de revitalização, tendo assumido e reerguido hotéis tradicionais como o Master e o Hotel Brasil, gerando empregos e movimentando o turismo de saúde e educação na capital do oeste paulista.
A homenagem, proposta pela vereadora Sara Lopes, trouxe à tona o lado menos conhecido de Cláudio: o de benfeitor silencioso. A vereadora destacou que o empresário "não sabe passar alheio a nenhuma situação". Seja comprando remédios para desconhecidos ou abrindo as portas do hotel para quem não tem onde ficar durante tratamentos de saúde, Cláudio atribui sua vitalidade aos 61 anos à sua fé em Nossa Senhora Aparecida.
O amigo Gilberto Rodrigues reforçou essa face humanitária, lembrando que, durante a pandemia, Cláudio foi para a cozinha preparar mais de 5 mil marmitas para os necessitados. "Onde as pessoas veem dificuldade, ele vê oportunidade de ajudar", afirmou Gilberto.
Ao receber o Cartão de Prata ao lado de sua esposa, Leila Vieira da Silva, Cláudio Bispo deixou um recado que transcende os negócios: o sucesso só faz sentido se servir para cuidar das pessoas. Mesmo "sentindo-se pequeno" diante da perda do amigo Júlio, a grandeza de Cláudio foi reconhecida por unanimidade. Prudente não apenas ganha um grande empreendedor, mas celebra um cidadão que entende que o lucro mais valioso é a gratidão de quem cruza seu caminho.
Cedidas

Cláudio Bispo e esposa Leila Vieira da Silva, com vereadora Sara Lopes

Cláudio Bispo dedicou homenagem a Júlio, seu primeiro funcionário e fiel escudeiro por décadas, falecido no último sábado: "Eu nunca sofri tanto. Ele não era um funcionário, era como um filho"