Entrevista | Fernando Paque – Professor de Jiu-Jitsu do Tênis Clube

Fernando Paque ministrará jiu-jitsu no Tênis Clube

Esportes - DA REDAÇÃO

Data 15/03/2026
Horário 06:08
Foto: AI/Tênis Clube
Professor Fernando Paque
Professor Fernando Paque

Disciplina, técnica e desenvolvimento físico e mental. Esses são alguns dos pilares do jiu-jitsu, modalidade que passa a integrar a grade esportiva do Tênis Clube com aulas conduzidas pelo professor Fernando Paque. Com trajetória dedicada à arte suave e formação voltada à área esportiva, ele chega ao clube com a proposta de apresentar a modalidade a novos praticantes e também desenvolver atletas interessados na competição.
Para marcar o início das atividades, será realizado um aulão inaugural no dia 16 de março, às 19h, oportunidade para que associados conheçam de perto os fundamentos do jiu-jitsu e os benefícios que a prática pode proporcionar, desde a defesa pessoal até o condicionamento físico e o fortalecimento da disciplina.
Na entrevista a seguir, Fernando fala sobre sua trajetória no esporte, formação profissional, expectativas para essa nova fase no Tênis Clube e explica por que o jiu-jitsu tem conquistado cada vez mais praticantes de todas as idades.

Fernando, o que os associados podem esperar desse primeiro encontro no dia 16 de março, com o aulão inaugural?
Será um aulão para todos: crianças, jovens, adultos e também para quem nunca teve contato com a modalidade. A partir dos 6 anos, já conseguimos trabalhar com segurança e ensinar fundamentos importantes para qualquer faixa etária, como aprender a cair, amortecer uma queda e se proteger. Isso faz diferença não só no esporte, mas também no dia a dia. O aulão será bem interativo, prático e dinâmico, com fundamentos básicos do jiu-jitsu e também algumas técnicas de defesa pessoal, que é a essência da modalidade.

Para quem nunca teve contato com a modalidade, o aulão pode ser uma oportunidade de conhecer o esporte?
Com certeza. Esse aulão foi pensado para todos: tanto para quem nunca praticou quanto para quem já conhece a modalidade. Será uma ótima oportunidade para vivenciar o jiu-jitsu na prática, entendendo seus fundamentos, seu lado esportivo e, principalmente, sua essência como arte marcial e defesa pessoal. Vamos apresentar uma mistura bem interessante entre técnicas básicas, defesa pessoal e situações esportivas.

Agora você passa a integrar a equipe de parceiros esportivos do Tênis Clube. Como recebeu esse convite e quais são suas expectativas para essa nova fase?
Recebi esse convite com muita alegria, porque tenho uma ligação especial com o Tênis Clube. Fui sócio dos 12 aos 18 anos e meu pai, inclusive, foi diretor de esportes. Quando voltei para Presidente Prudente, em 2012, sempre pensei que o clube, pela sua tradição e estrutura esportiva, deveria ter o jiu-jitsu na grade. Como dou aula desde 2002, esse sempre foi um desejo meu. Ver essa proposta aprovada agora é motivo de muita felicidade, e minha expectativa é extremamente positiva. Acredito que o jiu-jitsu tem tudo para crescer dentro do clube.

Quais são os principais benefícios do jiu-jitsu para a saúde física e mental dos praticantes?
Os benefícios são muito amplos. Além de melhorar o condicionamento físico e a saúde mental, o jiu-jitsu trabalha defesa pessoal, autocontrole, confiança e disciplina. No caso de crianças e adolescentes, ajuda muito no desenvolvimento da coordenação motora, do respeito, da hierarquia e da postura diante de situações como o bullying. Trabalhamos os três Es, que é o evitar, evadir e por último enfrentar. A gente sempre busca a melhor arma que é a conversa. Mais do que um esporte, o jiu-jitsu ensina valores como superação, persistência, integridade e amizade. É uma formação para a vida. Para isso ele foi criado.

Existe idade ideal para começar a praticar jiu-jitsu ou a modalidade é realmente para todos?
Acredito que, a partir dos 6 anos, já é uma idade muito boa para começar. Mas o mais importante é entender que o jiu-jitsu é, sim, uma modalidade para todos. Tenho alunos de diferentes idades, inclusive adultos e pessoas acima dos 60 anos. O fundamental é respeitar a faixa etária, o condicionamento e o objetivo de cada aluno.

Seguindo esse pensamento, notamos que o jiu-jitsu ganha cada vez mais espaço entre crianças, jovens e adultos. Na sua visão, o que torna essa modalidade tão atrativa?
O jiu-jitsu é uma modalidade muito atrativa porque oferece benefícios reais para a vida das pessoas. A criança desenvolve coordenação motora, disciplina, respeito e noção de espaço. Jovens e adultos encontram uma prática completa, que trabalha corpo, mente e defesa pessoal. É uma modalidade que ensina superação, persistência e autocontrole, valores que acabam refletindo na escola, no trabalho e nos relacionamentos.
Muitas pessoas procuram o jiu-jitsu pensando em defesa pessoal. Que tipo de aprendizado elas podem esperar nas aulas?
Essa é uma questão muito importante, porque muitas academias focam apenas no lado competitivo e deixam de lado a defesa pessoal, que é a essência do jiu-jitsu. Na nossa metodologia, a defesa pessoal é prioridade. Trabalhamos situações reais, que podem acontecer fora do tatame, e ensinamos o aluno a reagir com técnica, consciência e segurança. Além do competitivo com e sem quimono, damos atenção especial à defesa pessoal aplicada ao dia a dia.

Para quem deseja competir, como funciona essa preparação?
A preparação para competição é diferente do treino voltado à saúde, ao bem-estar ou à defesa pessoal. Quem quer competir precisa de um treinamento de alta performance, com maior frequência, fortalecimento muscular e preparação física específica. É um trabalho mais intenso e direcionado. Para isso, tenho um time específico e horários voltados a esse tipo de preparação.

Fernando, conte um pouco sobre sua trajetória no jiu-jitsu. Quando começou a treinar?
Minha trajetória começou no judô, entre os 7 e 8 anos, por incentivo dos meus pais, que viam no esporte uma forma de desenvolver disciplina, respeito e qualidade de vida. Ainda criança, fui duas vezes campeão estadual de judô e cheguei a disputar o Campeonato Brasileiro. O jiu-jitsu entrou na minha vida de forma marcante durante uma viagem ao Guarujá, quando um amigo me apresentou a modalidade na praia. Eu já gostava muito de luta, então me apaixonei imediatamente.

Royce Gracie então fomentou ainda mais sua paixão pela luta. Certo?
Sem dúvida. Em 1994, comecei a pesquisar mais sobre o Royce Gracie e o jiu-jitsu brasileiro. Como ainda não havia jiu-jitsu em Presidente Prudente, comecei a treinar com amigos, assistindo a fitas VHS e estudando a modalidade. Depois, passei a treinar na primeira turma de jiu-jitsu da cidade. Em 1999, me mudei para o Guarujá, já como faixa azul, e em 2002 iniciei minha primeira turma como instrutor. Foi ali que começou oficialmente minha trajetória como professor. Voltei para Presidente Prudente em 2012 e, desde então, sigo desenvolvendo meu trabalho em diferentes espaços. Hoje, a Paque Jiu-Jitsu conta com três filiais — duas em São Paulo e uma em Minas Gerais —, além de um trabalho de mentoria com professores. Também atuei em projetos ligados à defesa pessoal, participei de ações sociais e sempre busquei unir duas frentes que considero fundamentais: a defesa pessoal e o competitivo.

Você também possui formação acadêmica e cursos voltados à área esportiva? 
Sempre busquei investir muito na minha formação. Sou formado em Administração de Empresas, pós-graduado em Marketing e atualmente curso o 3º ano de Educação Física. Além disso, tenho diversos cursos, seminários e formações voltadas à área esportiva e à defesa pessoal, incluindo cursos de primeiros socorros e certificação pela Polícia Federal como instrutor de defesa pessoal.

Ao longo da sua carreira, quais foram os momentos ou conquistas que mais marcaram sua caminhada dentro do esporte?
Tive conquistas muito importantes, como dois títulos paulistas no jiu-jitsu, em 2001 e 2002, além de dois títulos estaduais no judô e o 4º lugar no Campeonato Brasileiro Universitário de Judô. Mas, além dos resultados esportivos, uma das experiências que mais me marcaram foi poder ajudar pessoas por meio do esporte, especialmente em projetos sociais com crianças como no que estou ativo da Paróquia Maristela.

Que mensagem você deixa para os associados do Tênis Clube que estão pensando em começar no jiu-jitsu?
Minha mensagem é simples: menos telas e mais jiu-jitsu. Façam essa experiência. Participem de uma aula experimental gratuita e permitam-se conhecer a modalidade. Tenho certeza de que, ao vivenciar o jiu-jitsu, muitas pessoas vão se surpreender com tudo o que ele oferece, não só como esporte, mas como ferramenta de saúde, disciplina, defesa pessoal e qualidade de vida. Oss!

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