Era uma vez em Barra do Una...

CRÔNICA - Persio Isaac

Data 22/12/2019
Horário 06:08

Degas tem uma casa na Barra do Una, uma vila muito simpática de São Sebastião. Um local muito bom de passar com a família e amigos, os momentos prazerosos da vida. Um dos lugares mais bonitos do litoral norte brasileiro. Degas acordou, sol das 9h, mar convidativo, natureza à espera de elogios, tomou seu café da manhã e começou a descer as escadas para chegar na praia. Deu de cara com dois amigos que também vieram passar o final de semana. Estavam com um cachorro lindo da raça Golden Retriever. Seu celular toca, era sua grande amiga, Rose.

Rose tinha uma mega casa, milionária, adora música como Degas que nas horas vagas compõe sambas poéticos e bonitos: "Degas não vai me dizer que não está na Barra do Una? Estou Rose. Ah, que ótimo, vem pra casa que vou fazer uma leitoa e o Ricardo vai adorar te ver. Depois vamos cantar seus sambas. Mas Rose estou com dois amigos e... não acabou a frase pois, Rose não deixou, dizendo: Traz eles também.

Olha, a Rose é uma amiga muito querida, e ela está me convidando a comer uma leitoa e quer que vocês venham também. O nível do convite é final de uma Champion League.

Pô, vamos nessa Degas. Ok Rose estamos indo. Legal, estou indo com a Maria comprar a leitoa e como você é de casa fique a vontade com seus amigos. O local da casa não dá pra falar e muito menos a casa. Perfil de gente que sabe ser rico. Degas comentou como era essa família para os amigos. Gente da melhor qualidade, vocês vão adorar.

Como era da casa, entrou foi até o quintal e sentaram de frente para a piscina e ele de costas para o mar. O nobre cachorro sentiu o enorme espaço e o soltaram para passear livremente ao sabor do belíssima jardim. No meio do bate-papo, Degas nota uma Gaiola dourada com requinte de primeiro mundo com a portinhola aberta e nada dentro. Beleza, apenas uma observação corriqueira. Não deu nenhuma importância. Mas que a Gaiola era de chamar a atenção, isso ninguém poderia negar. Ouvem latidos do cachorro e quando Degas se vira para ver, nota que o majestoso Golden Retriever trazia algo em sua boca multicolorido. O cachorro vem se aproximando e quando chega perto, notam que é uma ave exótica morta na boca do cachorro. Gaiola dourada vazia, ave exótica na boca do cachorro, não precisaria ser um gênio para perceber que "Fudeu".

PQP e agora? Puxa, Degas que vexame, disseram os amigos completamente constrangidos pelo assassinato da ave. Se o Ibama pega, vão presos sem apelação. Degas de Deus, que merda. O cachorro todo feliz, abanando seu real rabo dourado, parecendo que tinha achado o tesouro do pirata, Barba Negra. Degas nós pagamos o que for preciso, trazemos até um tigre de bengala de lambuja. A situação era mais séria que a Greve dos Caminhoneiros.

Degas num rompante de pragmatismo e malandragem começa a agir, desmontando o cenário do crime. A Rose pode chamar até o famoso detetive, Hercule Poirot que provarei que existe o crime perfeito. Pega a belíssima e rara ave, vai até a cozinha, dá um banho nela, como se tivesse dando um banho real, limpa-a com muito carinho, enxuga-a com toalhas de linho e seca-a com um secador que se virasse para a praia o mar viraria sertão. Deixou a ave pronta para entrar no seu altar: "A Gaiola Dourada". Arrumou ela direitinho, encostando sua cabecinha nos canos dourados de alumínio. Olha, não parece que ela está dormindo?

Como o desespero era profundo, todos concordaram. Olha gente, na hora que a Rose perceber vamos falar que vimos uma cobra Black Mamba, a mais venenosa do mundo, dando o pinote. Mas Degas, aqui no Brasil não existe tal cobra. Ah, então vamos falar que foi o mosquito da Dengue. Chega a Rose dirigindo sua Mercedes 2020. Desce do carro e vem toda feliz cumprimentar o querido amigo. Ele se levanta se abraçam, ele de frente pro mar, ela de frente pra gaiola. Degas sente que Rose começa a passar mal, quase desmaiando, ela murmura: É o Fred. Calma Rose, calma. Degas olha dos lados procurando esse tal de Fred. Mas que Fred, Rose? O Fred, Degas, minha grande ave do paraíso, que eu e Ricardo trouxemos do sudoeste da Nova Guiné, nas ilhas Aru na Indonésia, eu o enterrei a quatro dias atrás e ele está na gaiola. Vejam vocês.

 

 

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