Esposa no Bordel

O Espadachim, um cronista a favor da sela e contra a cela

OPINIÃO - Sandro Villar

Data 14/06/2020
Horário 05:30

Rico fazendeiro, dono de terras a perder de vista e de milhares de cabeças de gado, o Aristeu, que já estava naquela fase de queimar óleo 40, tinha dois vícios. Aliás, minto, o velhote, não sei se velhaco, tinha três vícios: jogo, bebida e, claro, mulher. Do alto dos seus quase 70 anos, ele ainda era o que se pode chamar de velho assanhado no quesito mulher.

Encurtando a historinha: adorava o sexo oposto e só se interessava por mulher bonita de rostinho tipo Branca de Neve ou Taylor Swift. E no jogo perdia e ganhava, como é do jogo nem sempre aberto.  No caso da bebida, Aristeu não estava nem aí - e acho que nem lá - com essa máxima dos publicitários "beba com moderação".

Moderação? Taí um vocábulo (vocábulo é bom) que não constava no dicionário do fazendeiro, um expoente do agronegócio. Ele era bom de copo e, segundo as más línguas, praticava halterocopismo dia sim e dia também sim.

Sempre que tinha um tempinho vago, depois de capar touros em uma de suas dez fazendas, nas quais a reforma agrária passa longe, Aristeu gostava de frequentar shoppings acompanhado de um puxa-saco, deixando a mulher, dona Salustiana, em casa. Por mais que a esposa insistisse, ele não a levava e isso tinha uma explicação.

É que, sem a mulher por perto, ele paquerava à vontade. Quando via o "alvo", de preferência mocinhas do tipo descrito acima, o fazendeiro escrevia um bilhete propondo mundos e fundos - ou o melhor dos mundos - para a garota. "Te dou carro, roupa de grife e o que você quiser se aceitar namorar comigo", dizia o bilhete do velho assanhado.

 Para despistar e não ser reconhecido por frequentadores do shopping, Aristeu, arisco pra cachorro, pedia "socorro" ao acompanhante. "Tá vendo aquela gostosa? Entrega o bilhete pra ela", recomendava ao puxa-saco.

Algumas dessas investidas eram bem-sucedidas e, entre suas conquistas, uma era estudante de Direito. Só que deu a maior encrenca. É que uma filha do fazendeiro era amiga da universitária e, ao saber do caso extraconjugal do pai, ficou mais furiosa do que o Bolsonaro com o Moro e resolveu lavar a roupa suja familiar.

A filha pegou o carro e, com aceleração máxima, jogou o possante importado contra a porta do escritório do pai. O carro entrou no escritório. Prejuízo dos grandes. Apesar dessa encrenca, Aristeu continuou pintando e bordando, como na noite em que estava em um bordel.

Um fofoqueiro avisou dona Salustiana que seu marido estava no prostíbulo, bêbado e pelado, o que, aliás, não é novidade num lugar de, digamos, "pega pra capar". A mulher ficou uma onça de cria nova. Ela pegou o carro - importado, claro - e chegou ao prostíbulo cantando pneu.

Alguns amigos avisaram Aristeu: "Vai embora, a tua mulher acabou de chegar", alertou um dos companheiros de farra. Com fala pastosa e segurando uma garrafa de uísque, o fazendeiro riu e falou alto e bom som: "Deixa ela entrar. Hoje tá faltando biscate aqui".

 Terminou em divórcio? Que nada! Dona Salustiana, que de boba não tinha nada, levava vida de rainha, com meia dúzia de cartões de crédito, joias e viagens. Se desse o cartão vermelho ao marido, ela ia morar em outro endereço: Rua da Amargura, s/n, onde o carteiro não entrega correspondência e nem cartão de crédito.

 

DROPS

A situação está de fazer o grilo falante ficar mudo.

Sou a favor das reformas... nas consciências dos deputados e senadores.

Nova dupla caipira na praça: Fome e Vontade de Comer.

Salve-se quem puder e quem tiver apartamento na Quinta Avenida.

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