Exercício físico e câncer 2

Jair Rodrigues Garcia Júnior

O câncer de mama representa 24% de todos os casos nas mulheres e em 2020 são estimados 43,7 casos para cada 100 mil mulheres. É o câncer com maior taxa mortalidade com 13,8 óbitos para cada 100 mil mulheres. Porém, essa taxa aumenta para 20 óbitos na faixa dos 40 anos e para 38 óbitos para cada 100 mil mulheres na faixa dos 50 anos (INCA, 2020). Prevenção primária (todos os dias) e secundária (indicada pelo seu médico) são imprescindíveis.

Estilo de vida ativo

A prática regular de exercício físico já está bastante relacionada com prevenção de obesidade, infarto e outras doenças crônicas. Porém, não se divulga na mesma magnitude seu potencial de diminuição do risco de câncer, inclusive o de mama. E a relação pode ser simples: alguns cânceres estão relacionados com obesidade, resistência à insulina e inflamação sistêmica. Músculos ativos secretam miocinas (hormônios) que evitam esses fatores de risco.

Jama

Estudo com 1,44 milhões de adultos, incluindo 187 mil com câncer, relacionando com a prática de exercícios foi publicado em 2016 na revista da Associação Médica Americana (JAMA). Para prevenção de doenças, incluindo cânceres, o mínimo recomendado de exercício é de 150 min/semana. O estudo demonstrou que o dobro e o triplo desse tempo (cerca de 10h/sem de caminhada/corrida) podem ter efeito ainda mais significativo, com redução de até 32% do risco. O exercício também reduz a mortalidade, particularmente para cânceres de mama e de cólon. Interessante que atletas de elite apresentam taxa de mortalidade até 40% menores do que a população em geral.

Atores principais

Músculos ativos produzindo e liberando miocinas na circulação, assim como melhorando a função de outros órgãos e sistemas fisiológicos podem influenciar o surgimento, evolução e regressão (juntamente com terapias específicas) dos tumores por diferentes mecanismos. Têm sido estudados os efeitos do aumento da adrenalina e do cortisol, diminuição da insulina, alterações no metabolismo das células tumorais e indução de sua morte (apoptose), ação das células do sistema imune inato (células Natural Killer) e das miocinas. 

Cada treino conta

Uma hipótese estudada é de que os músculos em atividade, com demanda aumentada, competem com o tumor pela glicose (o combustível de ambos), limitando seu metabolismo e proliferação. Por esse e outros motivos, estudo publicado em 2017 propõe a mudança do paradigma de prevenção. Alterar o foco da redução dos fatores de risco (hormônios sexuais e IGF, citocinas inflamatórias) para o aumento dos vários potenciais componentes anticâncer produzidos pelos músculos em atividade. Lembre-se: cada sessão de treinamento cria um “ambiente não amigável” para as células tumorais.

 

 

TREINAMENTO CRIA “AMBIENTE NÃO AMIGÁVEL” PARA AS CÉLULAS TUMORAIS

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