Falsa sensação de poder

Estava vindo para o consultório e ouvi pelo rádio que, dia 22 de setembro, é o Dia Mundial Sem Carro. São reflexões sobre o uso excessivo do carro, bem como, o estímulo ao uso coletivo aos meios de transportes e toda a sua diversidade, inclusive bicicletas. Fiquei refletindo em como é difícil aceitar as mudanças e abandonar o conforto. Quem mandou alguém inventar a roda? 
Os primeiros registros vêm da antiga Mesopotâmia. O propósito desse projeto é muito importante. Os objetivos vão em direção ao planejamento e meio ambiente. Salvar o planeta é o lema atual. Deveria ser o objetivo e função de cada um de nós. Somos responsáveis e estamos relativamente imbricados nessa empreitada diária. O mundo vive momentos de extremos fenômenos climáticos, provocados pelo aquecimento global. Por que é tão difícil mudar? Muitas vezes, apegamos aos costumes e hábitos até para sentirmos-nos vivos. Acostumados ao cotidiano, ficamos enraizados à mesmice. Tudo se torna banalizado. O hábito e o costume nos levam em direção à ausência de um pensar significativo. 
O carro, dizia a reportagem, leva à falsa sensação de poder. Fiquei refletindo. Pensei nos filmes como “O homem de ferro”, “Gigante de aço”, “Transformers”, “Venon”, etc. Eles possuem um formato único de “revestir” o ser humano com objetos metálicos e poderosos, cuja função é: proteção e conquista; poder e triunfo. O tema âncora das ficções nada mais é do que a realização de um desejo do ser humano em tornar-se eterno ou imortal. Penso que o carro, muitas vezes, realiza esse papel da ficção. 
Percebem que alguns motoristas apresentam-se megalomaníacos, quando estão dirigindo suas potentes máquinas? Eles fazem gestos obscenos, fazem rachas com seus carros turbinados, ameaçam com armas de fogo e acabam matando pessoas inocentes. E quando estão alcoolizados, aumenta ainda mais, o poder. Observaram como, quando estão dentro dos automóveis, arremessam garrafas de plásticos, papéis ou lixos diversos, para fora? É como se o planeta Terra não lhes pertencesse e o universo girasse em torno do seu narcisismo, num raio de diâmetro entre seu umbigo e o carro.  
Bem que poderíamos aderir o lema do sem carro. E pensar que quebrar hábitos e costumes é pensar, ampliar e expandir na totalidade, envolvendo o foco biopsicossocial. Reinventar ou aderir meios que fossem compatíveis com a saúde, como caminhadas até a padaria, açougue ou trabalho. E assim, ao mesmo tempo, contribuir com a preservação do meio ambiente, bem como sua preservação. Estamos todos no mesmo barco.
 

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