Festa Junina!

O Espadachim, um cronista de esquerda quando entra à esquerda e de direita quando entra à direita

OPINIÃO - Sandro Villar

Data 28/06/2020
Horário 05:00

Bem que a namorada alertou o Brandão para ele não atravessar descalço o braseiro da fogueira de São João, pois poderia entrar numa fria, quer dizer, entrar numa quente. E bota quente nisso. Pois, foi o que aconteceu: pisou em brasas vivas, com jeitão de lava de vulcão, e foi parar no setor de queimados do hospital com os pés parecendo pata de elefante tal era o inchaço ou edema, como diz o jargão dos médicos.

Vai ver o Brandão, mais teimoso que certos técnicos de futebol, é um homem de pouca fé, o que pode explicar as queimaduras na sola dos pés. Se tivesse dado ouvidos à namorada, a sempre zelosa Margarida, ele não teria ficado um tempão sem andar e, de quebra, sem namorar.

Brandão, nada brando, queria impressionar a Margarida e, sem qualquer preparo, teve a ideia de jerico de caminhar sobre brasas. Não se informou sobre o assunto e não consultou nenhum especialista e, por falar nisso, dizem que os ciganos da Bulgária são craques na arte de caminhar sobre brasas. Eles sabem o segredo.

O pessoal de Bocaina também manja um bocado dessa arte com mais de 120 anos de tradição, trazida ao Brasil pelos portugueses. Católicos de Bocaina têm fé e, pelo jeito, fazem a travessia numa boa. Não se tem notícia de que algum morador foi parar no hospital depois de andar sobre brasas, o que é uma brasa, mora!

Surgiu o boato de que o Brandão não cruzou o braseiro de cara limpa numa fogueira em Xiririca da Serra. Um rival, inconformado por ter recebido o cartão vermelho da Margarida (ela o trocou por Brandão), contou pra meio mundo que o Brandão, para criar coragem, encheu a cara no bar do Gervásio e também não dispensou o quentão.

Tomou todas e mais aquela que matou o guarda e toda a corporação, o que talvez explique a falta de policiamento na cidade. Calibrado, fez a besteira e se deu mal como também se deu mal numa festa de São Pedro.

Desta vez, o Brandão cismou de subir num pau de sebo a fim de abiscoitar (que palavra bonita, sô!) o prêmio que estava à disposição do vencedor no cume do mastro. Era uma nota de R$ 100, o que não deixa de ser um dinheirinho razoável em tempos de vacas magras, como, aliás, são os tempos atuais em que carcará voa na vertical.

Cenzinho à espera do vencedor. Quem se habilita? Pois o Brandão, para desespero da Margarida, se habilitou, mesmo não sendo alpinista ou o Homem-Aranha. Ele tomou a providência de sempre, ou seja, tomou uns quentões a mais, além de outras águas que curió não bebe, enfim, encheu a caveira e lá foi para a aventura. 

Como alcançar o topo de um pau de sebo com quase dez metros de altura, mais alto do que a rejeição do povo a um certo Mito? Ansioso para pegar o dinheiro, pois tinha um dívida de jogo, o Brandão começou a subir.

Até que não decepcionou no início, mas depois entrou bem. Não estava nem na metade da escalada e aconteceu o que todo mundo previa. As "garras" no pau de sebo não grudaram direito e Brandão despencou lá de cima. Se esborrachou no chão e não teria se esborrachado se fosse o Homem-Borracha.

Por pouco não caiu dentro da fogueira, que era bem alta e parecia uma fornalha. Com algumas fraturas, o Brandão foi socorrido por uma equipe do Samu chamada por Margarida. Ele não abiscoitou o prêmio, mas no hospital ganhou um biscoito da enfermeira.

 

DROPS

 

O Brasil tinha Pelé. A Itália tem Pellè e o cara joga à la Pelé.

 

Marco Polo, o veneziano, saía mundo afora. Marco Polo, o ex-da CBF, não põe o pé fora do Brasil.

 

No tempo do onça, as onças não corriam risco de extinção.

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