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Gabriel Coelho, CHEF DE COZINHA

“Cozinhei me divertindo e para mostrar o amor que tenho pela cozinha”

VARIEDADES - THIAGO MORELLO

Data 28/12/2019
Horário 06:05
Raquel Cunha: Gabriel Coelho, campeão do Mestre do Sabor Foto: Raquel Cunha: Gabriel Coelho, campeão do Mestre do Sabor

“Nervosismo, alegrias, angústias e muita, muita felicidade”. Pela fala do chef de cozinha de Presidente Venceslau, Gabriel Coelho, 31 anos, esse foi alguns dos sentimentos vividos ao longo das últimas 12 semanas, em participação pelo programa Mestre do Sabor, reality realizado pela Rede Globo. Mas o último sentimento listado por ele, felicidade, foi ainda mais sentido, na noite de quinta-feira, quando ele e todos os telespectadores do programa puderam vê-lo sendo consagrado como o grande campeão da noite. E sob a certeza de que tem um “grande amor” pelo faz, além de acreditar que “cozinhar é troca de sentimentos”, ele aproveitou o momento e bateu um papo com o jornal O Imparcial e falou sobre a carreira, a participação no programa e os planos futuros. Confere aí:

 

O Imparcial: Antes de falar sobre o reality em si, como se desenvolveu sua relação com a gastronomia?

Gabriel: Cozinhar sempre foi algo de família. Todos, sem exceção, cozinham em casa. Nós crescemos no interior, sempre fomos muito à fazenda, contato com animais, frutas e verduras in natura. Minhas lembranças nesse sentido são muitas, como esquecer, por exemplo, o leite chegando na casa da minha avó e que dali em poucas horas sairia um doce de leite que posso afirmar: nunca comi igual. As lembranças são diárias e só de pegar um determinado ingrediente, tenho uma sinestesia que me dá uma saudade que aperta o coração e me dá forças para continuar nessa caminhada. Saudades, vó!

 

Você possui muitas referências e experiências internacionais. Como isso o auxilia?

Eu acredito que qualquer experiência que vivemos acrescenta algo em nossa carreira já que somos cozinheiros e em qualquer lugar do mundo tem alguém se “restaurando”. Aprendi nas experiências que tive no exterior, mas também aprendo muito aqui. Estamos aprendendo todos os dias!

 

Se você pudesse definir qual seu estilo na cozinha, qual seria?

Gosto de fazer comida simples e que relembram a minha vida de alguma maneira, tenho uma ligação muito grande com o interior e a fazenda dos meus pais em Venceslau. Hoje eu consigo mostrar isso nos pratos.

 

Quais são os chefs/nomes que você carrega como referência para você. E por quê?

Existem muitos, mas o Claude [Claude Troisgros, chef francês] é uma pessoa que levo no coração como amigo e na cozinha como chefão. Tudo o que a família Troisgros fez pelo mundo foi absurdo, eles criaram a “nouvelle cuisine” [em português: nova cozinha] na França e ele veio para o Brasil e quis misturar tudo. Valorizou os ingredientes brasileiros como nenhum outro brasileiro já fez na época. Sou muito fã dele!

 

Agora falando sobre o reality, como foi sua participação?

O programa todo foi uma loucura atrás da outra, muitas emoções. No começo foram 56 chefs do Brasil inteiro para disputar 24 vagas. Então a primeira prova de entrada já é uma tensão. Depois disso vieram as provas em grupo que temos que saber lidar com muitos cozinheiros diferentes, saber falar não, saber aceitar alguma ideia que não é nossa. Não é tão fácil porque cozinha mexe muito com o ego dos chefs, é a personalidade dele que ele quer colocar no prato. Imagina você querer se intrometer na obra de arte de um artista?! Depois dessa fase veio o tão esperado duelo, imagina você desafiar um baita chef pra descobrir quem vai pra casa? Esse dia foi uma loucura, me cortei, cai no chão, mas no final deu tudo certo. Acho que depois disso fiquei mais tranquilo e fui levando numa boa, cozinhei me divertindo e querendo mostrar pra todo mundo o amor que tenho pela cozinha. Deu certo né?! Rs.

 

A partir de agora, quais são seus planos futuros?

Ano que vem promete! Vou me casar com uma gata e cozinheira incrível que me ajudou e deu muita força pra ganhar esse prêmio. Estamos com o plano do nosso primeiro restaurante que deve sair do papel depois do meio do ano. Agora é continuar trabalhando, igual sempre fazemos!

 

E como é para você poder representar a região do oeste paulista? Pra quem vive ou nasci aqui, é mais difícil de conseguir uma colocação no ramo?

Tenho muito orgulho de representar nossa região porque cresci em Venceslau e meus pais ainda moram lá, então meu coração fica dividido. Acho que para ter colocação no mercado precisamos sair da nossa região por um tempo, passar alguns anos trabalhando nos grandes restaurantes do Brasil e fora. Sair, aprender e voltar para aplicar tudo isso por aí.

 

Foto: Globo/Victor Pollak

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