Grupo de empresários confecciona selo: 170 dias de portas fechadas

De acordo com eles, trata-se de um “recorde mundial”: “hoje, muitos correm o risco de fechar”

PRUDENTE - THIAGO MORELLO

Data 26/08/2020
Horário 05:15
Reprodução - Selo confeccionado por empresários: 170 dias fechados
Reprodução - Selo confeccionado por empresários: 170 dias fechados

Um selo foi até confeccionado, pelo grupo de empresários – donos de bares e restaurantes de Presidente Prudente -, no qual eles pontuam os 170 dias que estão prestes a serem completados, com os estabelecimentos fechados, “o que é um recorde mundial”, de acordo com Fabiano de Oliveira Ventura, proprietário do Rock Burguer. À reportagem, ele lembra que em junho a região operou 14 dias na fase amarela, assim que o Plano São Paulo foi iniciado, mas não foi de grande ajuda para todos. “Se realmente não abrir no dia 5 de setembro [data início do período da próxima atualização do Estado], não sabemos o que fazer. Já seguramos ao máximo”, lamenta.
Nesse cenário preocupante e até chegar aqui, eles lembram que tentaram manter ao máximo os empregos e a atividade em dia. “Mas, hoje, muitos correm o risco de fechar”, complementa o proprietário do Garden Restaurantes, Paulo Meirelles. No encontro feito entre eles, o comerciante ainda mencionou que já havia estabelecimentos sinalizando o possível fechamento, “pois não aguentariam mais”.
E o fato de terem ficado 14 dias na fase amarela em junho, e logo depois regredir, não ajudou. Na verdade, complementando a fala de Fabiano, Paulo destaca que “muitos se prepararam” para uma retomada gradual da economia. Mas, assim que voltou para fase vermelha logo em seguida, e depois permaneceu na laranja por dias, como segue até hoje, “estoques de comida foram parar no lixo, pessoas que foram recontratadas não puderam ser dispensadas de imediato e isso só onerou o empresário, criando ainda mais uma dificuldade que já existia”, destaca.

Sistema delivery

Nessa modalidade de trabalho, fica possível, apenas, o sistema delivery e drive-thru. Mas, engana-se, segundo eles, “quem acredita que, por ter essa possibilidade, está tudo bem”. Muito pelo contrário. Segundo o proprietário dos restaurantes Ariga Food e Don Box, Jonathan Parisi, não é todos que se beneficiam com o sistema de entrega.
Ele, que faz parte do grupo representante, afirma que não são todos os segmentos que conseguem se manter dessa forma. De acordo com o empresário, há certos tipos de alimentos, pratos, que não são bem consumidos no sistema de entrega, como rodízios, por exemplo. “O delivery não é uma operação sustentável quando você tem um salão. Você tem um prédio, uma equipe para manter”, pontua.

Fotos: Sinomar Calmona

Jonathan Parisi, dono do Ariga Food e Don Box, integra grupo de empresários que pede maior flexibilização para a abertura de seus negócios em Prudente
Jonathan Parisi (Ariga Food e Don Box)

Fabiano de Oliveira Ventura, dono do Rock Burger, integra grupo de empresários de Presidente Prudente que está há 150 dias de portas fechadas
Fabiano de Oliveira Ventura (Rock Burguer)

Paulo Meirelles dono do Garden Restaurantes integra grupo de empresários que estão há 150 dias de portas fechadas
Paulo Meirelles (Garden Restaurante)

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