Hanseníase: doença milenar que ainda carrega estigmas e preconceitos

EDITORIAL - DA REDAÇÃO

Data 20/01/2024
Horário 05:46

No mês de janeiro, a cor roxa ganha destaque por representar a luta contra a hanseníase, uma doença milenar que, infelizmente, ainda carrega consigo estigmas e preconceitos. Antigamente conhecida como lepra, a hanseníase é uma enfermidade crônica, curável e que, se diagnosticada precocemente, permite uma intervenção eficaz. É crucial entender a importância da conscientização para quebrar os paradigmas que cercam essa condição.

Como noticiado por O Imparcial, a VEM (Vigilância Epidemiológica Municipal) de Presidente Prudente iniciou, neste mês, a campanha “Janeiro Roxo”, com o objetivo prevenir, conscientizar, e promover novos diagnósticos da hanseníase. De acordo com dados da vigilância, em 2023, foram positivados seis casos no município, sendo quatro novos diagnósticos e dois reincididos. Em 2022, o número de registros foi o mesmo, de seis casos. Em 2021, a VEM registrou confirmações da doença em cinco pacientes.

De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) referentes ao ano de 2021, a Índia é o país que mais reportou casos novos, cerca de 53,6% do total global. Na região das Américas, houve 19.826 (14,1%) casos notificados; desses, 18.318 (92,4%) ocorreram no Brasil. Nesse contexto, o Brasil ocupa o segundo lugar entre os países com maior número de casos no mundo, seguido da Indonésia.

A hanseníase, ao longo da história, foi associada a mitos e temores infundados. O estigma em torno da doença contribui para a exclusão social, isolamento e, em muitos casos, para a negligência na busca por tratamento. É essencial compreender que a hanseníase não é sinônimo de incapacidade ou contágio fácil. Com informação correta, podemos desmistificar a condição e promover uma sociedade mais inclusiva.

A conscientização desempenha um papel crucial na promoção da saúde e na luta contra o preconceito associado à hanseníase. A informação precisa e acessível é um antídoto poderoso contra a ignorância que alimenta estigmas. É importante disseminar conhecimento sobre os sintomas da doença, métodos de transmissão e, acima de tudo, enfatizar que o tratamento é eficaz e disponível pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

A hanseníase é uma doença que, se diagnosticada nos estágios iniciais, pode ser tratada com sucesso. Exames regulares, especialmente para aqueles em áreas endêmicas, são cruciais para identificar precocemente qualquer sinal da condição. A terapia medicamentosa é eficaz, e muitos pacientes recuperam completamente sua saúde quando tratados adequadamente.

Neste Janeiro Roxo, unamo-nos na promoção da conscientização sobre a hanseníase, na desconstrução de estigmas e na construção de uma sociedade mais compassiva e informada. Juntos, podemos superar as barreiras que limitam o acesso ao tratamento e criar um ambiente onde cada indivíduo afetado pela hanseníase seja tratado com dignidade e respeito.

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