Homossexualidade e família desajustada: interfaces

A fenomenologia envolvendo homossexualidade e as questões antropológicas, psicossocioculturais sobre famílias e todos os seus desdobramentos alargam em complexidade. O atual ministro da Educação, Milton Ribeiro, mexeu num vespeiro semana passada, com afirmações retrogradas e preconceituosas. Homossexualidade e famílias desajustadas são assuntos para tratar em âmbitos distintos, como em retas paralelas. Não há intersecção entre as duas. 
É uma estupidez afirmar que a homossexualidade está relativamente imbricada no contexto de uma família desajustada. Penso que fere todos os princípios pelo direito à liberdade, democracia, respeito, singularidade, subjetividade, etc. Quem não tem um ínfimo desajuste em sua família, atire a primeira pedra! A família contemporânea configura-se em diversidades. 
A união civil entre pessoas do mesmo sexo foi declarada legal pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em maio de 2011. E assim, em 2013, o Conselho Nacional de Justiça publicou uma resolução que permitiu aos cartórios registrarem casamentos homoafetivos. Como pensar sobre a família desajustada? E por que associar desajuste com homossexualidade? Como definir uma família desajustada e outra ajustada? Há famílias muito ajustadas, normóticas, rígidas, onde os filhos adoecem psicopatologicamente. Há famílias desajustadas e filhos ajustados e geniais. Temos muitos exemplos. 
Podemos considerar desajustes relativos, como: alcoolismo, abuso sexual, assédio moral, drogadicção, violência doméstica, lutos e melancolia, agressividade, falta de diálogo, desrespeito, bullying, ausência de afeto, criticas severas, discriminação, preconceito, onipotência, maus tratos, gravidez na pré e na adolescência, etc. Esses são fatores desencadeantes que compõem o repertorio de famílias desajustadas atualmente. 
Fertilizarão desencadeando através desses contextos, múltiplas doenças psicopatológicas como sociopatia, esquizofrenia, neuroses, surtos psicóticos, alcoolismo, drogadições, diversos transtornos, obesidade e também suicídios, etc. É pensar de forma cartesiana, que o fruto dessa dinâmica do desajuste será o homossexualismo. 
Famílias podem viver somente períodos em desajustes, podendo ajustar-se novamente quando a tempestade passar. Pode ocorrer de a família ser ajustada e somente um integrante ser desajustado. A homossexualidade não se trata de doença, tampouco de um desajuste. A opção pela escolha não existe. É um sujeito humano que se constitui, independente se sua família é ajustada ou não. O ideal é que todas as famílias pudessem constituir-se com um bom planejamento. E a base fosse o amor, diálogo e respeito às diversidades que são inerentes à humanidade.
 

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