Imunizante contra dengue está disponível em apenas 1 rede de farmácias em Prudente

No entanto, aplicação da vacina Qdenga em duas doses com intervalo de 90 dias ocorre apenas na unidade da Drogasil no Bairro do Bosque; infectologista fala sobre como antígeno atua no organismo

PRUDENTE - CAIO GERVAZONI

Data 03/02/2024
Horário 04:20
Foto: Divulgação/Takeda
Qdenga, antígeno contra dengue, é comercializado no valor de R$ 330
Qdenga, antígeno contra dengue, é comercializado no valor de R$ 330

Conforme levantamento realizado recentemente pela reportagem de O Imparcial em farmácias de Presidente Prudente, a vacina contra a dengue, até o momento, pode ser adquirida em apenas uma rede de drogarias no município. Dos 10 estabelecimentos consultados pela reportagem, apenas dois, ambos da rede Drogasil, indicaram ter em seu estoque o imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório japonês Takeda. 

O antígeno contra a dengue é comercializado no valor de R$ 330, no entanto, a aplicação da vacina ocorre somente na unidade da Drogasil localizada no Bairro do Bosque, na Avenida Coronel José Soares Marcondes

De acordo com uma das farmacêuticas do local, é necessária a apresentação de prescrição médica para adquirir o imunizante. A venda e a aplicação da vacina na unidade começaram em agosto de 2023. “Está caminhando lentamente, a procura aumentou entre o final do ano passado e o começo deste ano”, diz a funcionária sobre a comercialização do Qdenga na unidade. 

Em 2023, a VEM (Vigilância Epidemiológica Municipal) de Presidente Prudente registrou mais de 36,1 mil casos da doença, que, de janeiro a dezembro do ano passado, provocou a morte de 24 pessoas no município.  

Incorporado pelo SUS

O registro do imunizante Qdenga foi aprovado em março de 2023 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Em dezembro passado, o Ministério da Saúde promoveu a incorporação da vacina contra a dengue no SUS (Sistema Único de Saúde). Antes disso, o imunizante passou pelo crivo da Conitec (Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias) no SUS, que recomendou a incorporação priorizando regiões do país com maior incidência e transmissão do vírus, além de faixas etárias de maior risco de agravamento da doença.

De acordo com a pasta, a aplicação da vacina contra a dengue começará em breve no país, porém, com certa limitação dentro de alguns critérios definidos pelo Ministério da Saúde junto com representantes de estados e municípios, por conta do número insuficiente de doses devido à capacidade limitada de produção do laboratório nipônico. 
No Estado de São Paulo, 11 municípios da região do Alto Tietê irão participar da cobertura inicial da imunização: Guarulhos, Suzano, Guararema, Itaquequecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Mogi das Cruzes, Arujá, Santa Isabel, Biritiba-Mirim e Salesópolis.

Imunizante Qdenga

O médico infectologista Luiz Euribel Prestes Carneiro indica que o Qdenga é feito a partir de vírus atenuados e tem excelente resultado nos sorotipos de dengue um e dois, porém, menor efeito nos sorotipos três e quatro. 

No Brasil, a vacina será aplicada em crianças acima de quatro anos e em idosos até 60 anos. “Idosos acima dessa idade podem tomar a vacina, desde que tenham um pedido médico. Como é feita de vírus atenuados e não de vírus inativados, não poderá ser aplicada em grávidas ou em pessoas com imunodeficiência primária ou secundária, como portadores de HIV [sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana], transplantados em uso de imunossupressor, pessoas com câncer ou doenças autoimunes, que fazem uso de medicamentos biológicos ou imunossupressores de uso contínuo”, explica Euribel.   

O especialista explica que, assim como qualquer outra vacina, é possível que o imunizante Qdenga não proteja todas as pessoas que o recebam, e a proteção pode diminuir ao longo do tempo. “O indivíduo vacinado pela Qdenga pode se infectar pelo vírus da dengue por picadas de mosquito, mas semelhante ao que acontece com outras vacinas, o objetivo é que a pessoa vacinada não evolua para a forma grave da doença, sem necessidade de internação hospitalar ou leito de UTI [Unidade de Terapia Intensiva]. Mesmo após vacinados, devemos continuar a nos proteger contra picadas de mosquito”, recomenda o infectologista. 

Como a vacina age no organismo?

Questionado a respeito de como a vacina age no organismo, Luiz Euribel explica que, a partir da vacinação, o corpo reage com a formação de anticorpos neutralizantes, capazes de identificar, neutralizar e matar os vírus circulantes.  “Os primeiros anticorpos são formados cerca de seis dias após a primeira dose da vacina, mas para uma proteção completa é necessário a aplicação da segunda dose [de reforço], três meses após a primeira dose. Principalmente após a segunda dose, há um aumento ainda maior na produção de anticorpos e começa a ser formada a resposta imune celular ou ‘células de memória’”, pontua o especialista  

Segundo Euribel, a dose de reforço é a responsável pela proteção em longo prazo. “Meses ou anos depois de vacinados, quando entramos em contato com aquela bactéria ou vírus contra o qual fomos vacinados, imediatamente essas células ativam o sistema imune, inclusive com formação de novos anticorpos e rapidamente conseguem bloquear ou atenuar o processo infeccioso”, pontua o médico. 

Sendo a Qdenca uma vacina recente, o infectologista relata que ainda não existem dados que indiquem necessidade de mais doses de reforço. “O tempo de seguimento pós-vacina da Qdenga, neste momento, é de 4 a 5 anos. Até agora, os estudos demonstraram não haver necessidade de novos reforços”, acrescenta Luiz Euribel. 

Publicidade

Veja também