Indústria fecha janeiro com queda de 200 empregos

“Estamos em um período complicado. A crise que se instalou no país trouxe várias consequências, entre elas, o desemprego. Mas temos que ser otimistas, nossa luta primordial é manter o emprego dos trabalhadores"

REGIÃO - Jean Ramalho

Data 19/02/2016
Horário 12:15
Setor da economia que oferece os empregos mais qualificados, bem como as maiores remunerações, a indústria fechou o primeiro mês de 2016 com um déficit de 200 postos de trabalho na região de Presidente Prudente. O resultado significou uma variação negativa de 0,44% empregos a menos, se comparado com o mês de dezembro do ano passado. Os números foram divulgados ontem, por meio da Pesquisa de Nível de Emprego, de responsabilidade do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Nos últimos 12 meses, o acumulado apresentado pelas 65 cidades da área de abrangência da diretoria regional do Ciesp, em Presidente Prudente, foi de -2,72%. Percentual que representou uma queda de aproximadamente 1,3 mil postos de trabalho, entre os meses de janeiro de 2015 e de 2016. Quando comparados entre si, os meses de janeiro de ambos os anos apresentam um cenário um pouco melhor. Enquanto em janeiro de 2015 o resultado foi negativo em -1,08%, neste ano foi de -0,44%.

Jornal O Imparcial Setor de coque, petróleo e biocombustíveis apresentou queda de 3,08%, e influenciou cenário de retração da indústria na região.

Conforme o estudo, o cenário de retração da indústria na região de Prudente foi influenciado, sobretudo, pelas variações negativas de três setores. O de coque, petróleo e biocombustíveis, com uma queda de 3,08%; o de produtos alimentícios, com -0,33%; e o de móveis, com uma redução de 0,64%. Contudo, se analisados os 22 setores pesquisados, percebe-se quedas ainda maiores. Como, por exemplo, o de celulose, papel e produtos de papel, com uma variação de –6,50%; e o de metalurgia, com menos 11,76%.

De acordo com o diretor regional do Ciesp/Fiesp, Wadir Olivetti Júnior, apesar de apresentarem números ainda mais relevantes que os destacados, esses setores não influenciam nos resultados finais, pois percentualmente não representam grande representatividade no cenário. "São setores com menor representação e que não geram tanto emprego, se comparados com outros, mas que têm sua importância no mercado", relata o diretor.

Incremento


O setor de metalurgia, por exemplo, é responsável pela distribuição das vendas, como também pela compra de insumos que incrementam outros setores, juntamente com o ramo de máquinas e equipamentos, que teve uma queda de 1,19%. "São setores que geram empregos de qualidade, com remuneração acima das demais categorias, que, inclusive, trabalham com exportação. Então, quando esses segmentos estão parados, outros setores estão parados e quando eles crescem, significa que outros setores vão bem", assegura Wadir Olivetti Júnior.

Dos 22 setores catalogados pela pesquisa, a região apresentou queda em oito deles. Em outros nove itens, a região não apresentou número algum, ou ficou zerada. O saldo positivo ficou por conta de apenas cinco setores, entre eles, o de impressão e reprodução de gravações, com uma alta de 4,40 empregos.

Setores influentes


Presidente do Sintiapp (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Presidente Prudente), Roberto Moreira diz que o setor alimentício vem sofrendo perdas, principalmente pela redução nas exportações para a China, assim como pela crise financeira do país. "Estamos em um período complicado. A crise que se instalou no país trouxe várias consequências, entre elas, o desemprego. Mas temos que ser otimistas, nossa luta primordial é manter o emprego dos trabalhadores", garante o presidente, o qual afirma ainda que as maiores quedas do ramo foram registradas no setor frigorífico e na produção de açúcar.

Por sua vez, o Sindetanol (Sindicato dos Trabalhadores na Industria Química Farmacêutica e Fabricantes de Álcool, Etanol, Bioetanol e Biocombustível de Presidente Prudente e região) defende que não registrou a queda apontada pela pesquisa, especialmente em virtude da última safra. "No setor sucroalcooleiro não houve essa queda, pois existem empresas que não terminaram a safra e as que pararam em dezembro já retornam em março. Então não há razão para demissões", assegura Milton Sobral, presidente do sindicato.

Veja também