Jingle Bells

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista à moda antiga na era digital

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 06/12/2020
Horário 05:31

Até que enfim o Natal bate à porta, mas parece que mais uma vez falam mais do Papai Noel do que do aniversariante do dia 25, o Menino Jesus. Nasceu o Deus Menino, diz um trecho da letra da canção Jingle Bells em sua versão brasileira.
Pois é, o cronista lembra que Jingle Bells é a mais famosa música natalina já composta. O autor é o organista e pastor americano James Lord Pierpont. Ele compôs a canção em 1857. Pierpont morava na cidade de Savannah, na Geórgia.
A canção não se chamava Jingle Bells. O título original era Cavalos Puxam o Trenó (traduzido, claro, pois não me lembro da grafia em inglês). A letra, no entanto, tem a expressão Jingle Bells, que significa Batem os Sinos em bom português. 
O compositor percebeu que o refrão "jingle bells, jingle bells" havia caído no gosto das crianças e, por causa disso, trocou o título original por apenas Jingle Bells. Acertou na mosca e em outros insetos. No começo, milhões de pessoas cantaram a música em todo o mundo. Hoje são bilhões.
Parece que Pierpont não ganhou dinheiro com Jingle Bells e, hoje, a música é de domínio público. É triste lembrar, mas informo que o autor de uma das músicas mais famosas de todos os tempos passou à História como um fracassado. O consolo é o sucesso, digamos, póstumo de Jingle Bells, que certamente enriqueceu vigaristas de gravadoras e  controladores de direitos autorais.
Ele se alistou como capelão na Guerra Civil Americana, mas ficou por pouco tempo por não ter suportado os horrores do conflito. Depois, Pierpont foi ser professor e acumulou mais um fracasso.
Foi afastado da escola por ser, digamos, muito bonzinho com os alunos, principalmente com aqueles que precisavam de uma "forcinha" para passar de ano. 
Na sequência da existência, ele tentou ganhar a vida como advogado. De novo, outro fracasso. Pierpont ajudava os mais pobres, cobrando honorários considerados insignificantes. Com tantos fracassos acumulados, ele não teve outra alternativa a não ser voltar a tocar órgão na igreja e, claro, executando Jingle Bells.
Mas o Natal está aí, com Jingle Bells e outras canções notáveis alusivas à "festa máxima da cristandade", como se dizia em outros tempos menos bicudos e tristes.
O Espadachim também tem a sua mensagem de Natal a seus inúmeros fãs: cuidado com a ressaca no dia seguinte, pois, se abusarem das águas que pintassilgo e sanhaço não bebem, vocês ajudarão a enriquecer ainda mais os laboratórios que produzem o Epocler e o Engels, quer dizer, Engov. Prefiro um chá de boldo do Chile e de outros países.

DROPS

Felicidade é brinquedo que Papai Noel não tem.
(Assis Valente, em Boas Festas)

É Natal na casa do rico e do pobre.
(John Lennon)

Natal com panetone e pão todo dia.

Todo dia é dia de Natal.
(deveria ser assim)

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