Lelé da Cuca

A pandemia de 2020 deixou todo mundo meio Lelé da Cuca. Realmente é chegada a hora do final de ano e experimentamos sensações de fim de mundo. Para muitos, foi o fim mesmo. Sepultamos entes queridos sem ao menos dizer adeus. Lamentamos muito. Experimentamos fatos inéditos, trágicos, dolorosos e alarmantes. Máscaras e álcool em gel foram e, ainda são, parceiros inseparáveis, assim como medo, persecutoriedade, ansiedade e preocupação. 
Como diz o poeta e pensador inglês, Jonh Keats (1795-1821), “que o segredo que garantia a realização plena do homem era a capacidade de caminhar na incerteza, de deixar fluir através dos enigmas da vida, mesmo na dúvida, de se abandonar serenamente ao que lhe é dado do viver, sem escapismos nem ressentimentos, e, sobretudo, a capacidade de não cair no erro de avaliar unicamente o caudal da existência pela viciada máquina do cálculo ou da razão. Resiliência para conduzir a embarcação que nos pertence através do oceano vasto e desconhecido, na ausência de mapas e de formas exaustivas de controle”. 
John Keats designava “capacidade negativa”, porque contraposta à necessidade positiva, que reconhecemos em nós, de prever tudo, de perscrutar cada pequeno acontecimento pela lente da razão ou de lhes assegurar, de imediato, um desfecho, como se a vida fosse orientada por um guião (estandarte que vai à frente das tropas ou procissões). Não podemos “precisar” realmente sobre a vida. Somente sobre a finitude. Enquanto vivemos podemos apreciar o belo, que nos é ofertado gratuitamente ao amanhecer e ao crepúsculo. 
Ainda o poeta e pensador, Jonh Keats, diz: “Toda beleza é a alegria que permanece”. E mais, “beleza é verdade, verdade é beleza, isto é tudo o que conheceis sobre a Terra, e é tudo o que precisais conhecer”. Pensando em beleza, ocorre-me a beleza da vitrine da loja e empresa Lelé da Cuca. Uma representação da verdade. Durante o ano inteiro, faça chuva ou faça frio, segue ela, a embelezar a esquina da Washington Luís com a Doze de Outubro. Que pulsão de vida! Viva, segue a brilhar, piscar, encantar, e acompanhar junto, todas as agruras que estamos vivenciando em 2020. 
Um exemplo que impulsiona um pensar de continuidade, propósito, sonhos, valentia e garra. Em tempo de pandemia, todo o contexto do isolamento desencadeia ou ressoa no ar: anedonia, melancolia e desânimo. A motivação entra num estado de Nirvana. A esquina Lelé da Cuca marca pela capacidade alegre e jovial de estimular em direção à motivação, movimentação e desejo de continuidade na luta.  Sua iluminação segue iluminando caminhos e caminhos. Feliz Natal e muita luz “Lelé da Cuca” para todos vocês, leitores e amigos no ano de 2021. Fé, esperança e foco. Diga não à aglomeração. 
 

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