É normal os pais imaginarem, que os filhos estando em casa ou dentro de seus quartos, estarão seguros e protegidos. Essa ideia poderá tranquilizá-los, permanecendo distantes. Ledo engano. É necessário estar em contato com o filho (intimidade) e dialogar sempre a respeito do que estão pensando, suas ideias, impressões sobre acontecimentos atuais. Reflitam sempre sobre aspectos sociais, culturais, jornalísticos, tecnologias e sobre violências.
Estar bem perto e escutá-los é importante. Observá-los também. A transição entre a infância e a adolescência é um processo de muita turbulência. São muitas transformações repentinas. E há muita ansiedade. A espera e um desconhecido pertencente à fase provocam muitas angústias. Os jovens buscam pela própria identidade, querem desenvolver-se rápido e, ao mesmo tempo, temem por isso. Há muita ambivalência. Caso tenham tido uma infância muito conflituosa, reverberam ainda mais, com as crises inerentes durante a adolescência, tornando o momento mais catastrófico.
Há sempre muitas exigências e idealizações dos pais e deles próprios. Atualmente estamos experienciando processos de radicalização de adolescentes. Há um alerta feito pela juíza Vanessa Cavalieri sobre o uso de plataformas como o Discord para a realização de “jogos” e “desafios” que envolvem tortura e morte de animais. Práticas como essas são estimuladas por comunidades on-line. E é muito comum, como vimos acontecer com Orelha (cão comunitário que foi morto de forma violenta na Praia Brava em Santa Catarina).
Não sabemos, nesse caso específico, se há envolvimento com essa plataforma Discord, mas os pais devem permanecer em alerta com relação à existência de comunidades digitais organizadas em torno da violência. Como diz a juíza, “O Discord aparece como principal vilão. Mas o problema é mais profundo. Diversos outros canais também são usados para a prática de crimes de forma anônima, com pouca ou nenhuma capacidade de rastreamento e bloqueio. Não só animais estão sendo vítimas dessas barbáries; mulheres, crianças, negros, homossexuais, etc.
Há outra delegada, Lisandrea Salvariego, que afirma que: “Se o pai e mãe, antes de dormir, recolhessem o celular de criança e adolescente, a gente cessa pelo menos 60%dos crimes na madrugada. Porque tudo acontece de madrugada, longe do olhar do pai e da mãe. São provas e jogos horripilantes sendo transmitidos ao vivo. Conteúdos que induzem a dessensibilização da violência e atingem principalmente adolescentes, que agem por influência. A supervisão familiar e educação digital são essenciais nesse processo”.
Freud em seu texto, Psicologia das Massas e Psicologia do Ego, nos alerta que, em grupos há o esfacelamento da identidade e somos capazes de cometer as maiores atrocidades. Lembram-se do índio Galdino em Brasília? Dormindo em um banco de concreto foi incendiado por “diversão” por jovens adolescentes. Diz a Bíblia: “Olhai, orai e vigiai” (Mateus 26:41).