Mocambo Groove lança “Guerreira d’Arte em homenagem a Lua Barbosa

No aniversário de morte da atriz e produtora cultural, banda prudentina apresenta canção com videoclipe de animação e relembra caso que segue aguardando justiça

VARIEDADES - DA REDAÇÃO

Data 24/06/2021
Horário 07:35
Foto: Divulgação / Gasalucinação
Banda Mocambo Groove homenageia Lua com o lançamento 
Banda Mocambo Groove homenageia Lua com o lançamento 

No próximo dia 27, sétimo aniversário de morte de Luana Barbosa, ou apenas Lua, a banda Mocambo Groove lança canção e videoclipe de “Guerreira d’Arte”, uma homenagem à atriz, arte-educadora e produtora cultural morta pelo disparo de um policial militar em uma blitz de trânsito em Presidente Prudente, em junho de 2014. Composta no final daquele ano, a música é fruto da tristeza pela perda da amiga e da indignação pela maneira banal como sua vida foi interrompida.
Concebida na confluência dos múltiplos universos que habitam o Mocambo Groove, como maracatu de baque virado, groove funk soul e rock’n rol, a canção foi gravada, mixada e masterizada pelo Estúdio IALA, assim como as demais faixas do álbum.
Além das muitas misturas rítmicas, samplers e paisagens sonoras que já fazem parte da identidade do grupo, Guerreira d’Arte conta com trechos de composições criadas por Rafael a partir de vídeos de apresentações da companhia de teatro Os Mamatchas, grupo do qual Lua fazia parte, que foram construídas com a voz da atriz, suas falas. “Nós queríamos recriá-la, trazer sua memória viva na música”, conta. Assim, alternando entre momentos de maior energia, sirenes de carros de polícia, sons de tiro e a voz da própria Lua, a canção é como uma resposta a toda violência policial, que atravessa o ouvinte e clama por justiça. “Além de deixar bem claro que não vamos nos calar, pois ‘se eu cair, muitas virão em meu lugar’”, complementa o autor, citando verso da letra.
Rafael gravou voz e guitarra nessa canção. A bateria é de Guilherme Sala, os samplers, de Rodolfo Charelli. O baixo ficou por conta de Robson Soares, que já integrou a banda. E na percussão, o grupo repete a parceria de outras faixas já lançadas com o percussionista pernambucano Eder O Rocha, fundador da Escola de Percussão e Bateria Brasileira Prego Batido, de São Paulo, e referência em sua arte. Eder gravou caixa, bombos, gonguê e mineiro, trazendo a riqueza da musicalidade e das tradições da cultura popular do Recife, que tanto fascinam e influenciam a banda, mas que nessa canção ganham nova significação, já que por anos eles tocaram essas toadas em um bloco percussivo em Presidente Prudente, do qual Luana também fazia parte.

Criação da música

Foi a forma escolhida pelo grupo de materializar o que sentiam e de fazer com que mais pessoas conhecessem a história e se sensibilizassem com a necessidade de repensar as políticas de segurança pública do país, uma vez que casos como de Lua - em que agentes do Estado agem com violência brutal, desmedida e muitas vezes fatal - continuam a acontecer. Com o passar dos anos - ao longo dos quais o caso segue sem solução - a canção foi sendo construída e reconstruída, e agora ganha versão em filme de animação. O lançamento integra o álbum Ziriguibaquefreveletrickdrum, que tem sido compartilhado com o público uma faixa por vez no decorrer de 2021, e estará disponível no canal da banda no Youtube e nas demais plataformas digitais a partir de domingo.
Para Rafael Costa, compositor e vocalista do Mocambo Groove, a homenagem à Lua só poderia vir através da arte, da música, da poesia e da cultura popular. Ele relembra uma das cenas mais tristes e impactantes que presenciou: quando a mãe da atriz pintou a maquiagem de palhaça no rosto da filha sem vida, durante o velório. “Aquele gesto de amor nos fez pensar que não podíamos deixar que sua morte fosse em vão. Lembramos de Luana a cada ensaio, a cada show, em nosso trabalho, a cada nova militância que assumimos, pois a arte sempre será um ato político. Esse dia marca nossas vidas para sempre como o momento em que o Estado apagou Lua e seus sonhos, e cabe a todos que um dia sorriram de sua fantasia manter acesa a luz de sua história”, afirma.

Videoclip

A ideia do videoclipe veio depois, possibilitada pelo encontro, em 2021 - ainda que virtual - da banda com o artista gráfico e também músico Rafael Lagos, do Distrito Federal, que se interessou pelo projeto e aceitou o desafio de transformar Guerreira d’Arte em filme de animação através da pintura digital. Na pesquisa que resultou na estética e no roteiro da produção, eles contaram com acervo pessoal de Luana cedido por amigos e material contido no seu canal no YouTube e redes sociais dos grupos artísticos em que trabalhava.

Serviço

Lançamento da canção e videoclipe de ‘Guerreira d’Arte’, pela banda prudentina Mocambo Groove;
Quando: 27 de junho de 2021
Onde: No canal da banda no YouTube e Spotify.

Contato

(18) 98199-0117 (ligações) | (18) 98197-1383 (WhatsApp) - Rafael Costa (vocalista e compositor)
E-mail: mocambogroove@gmail.com
Canal do YouTube: Mocambo Groove (www.youtube.com/mocambogroove)
Instagram: @mocambogroove
Facebook: Mocambo Groove (https://www.facebook.com/Mocambo-Groove-154450924639049)

Banda Mocambo Groove


Telefones: (18) 98199-0117 (ligações) | (18) 98197-1383 (WhatsApp)
Instagram: @mocambogroove
Canal no YouTube: www.youtube.com/mocambogroove
Facebook: Mocambo Groove

 

Foto: Arte / Rafael Lagos - Cena do videoclipe “Guerreira d’Arte”, da banda Mocambo Groove

 

O caso da lua

Luana Barbosa foi atingida à queima-roupa pelo disparo da arma do cabo da polícia militar Marcelo Coelho, ao passar por uma blitz de trânsito na garupa da motocicleta do namorado, um dia após completar 25 anos. Desde então, familiares, amigos e toda a categoria de artistas de rua e ativistas culturais seguem mobilizados por justiça, que ainda não veio, e pelo fim da impunidade para crimes cometidos por agentes do Estado.
Disparo acidental, defeito da arma, choque do capacete do motorista com a mão do policial foram algumas das tentativas de justificar o crime, todas derrubadas durante a reconstituição conduzida pela Polícia Civil. Ações delituosas posteriores ao assassinato - como a retirada, por policiais militares, das imagens da câmera de segurança da empresa Andorinha que mostravam o local, assim como a retirada da própria câmera, e a tentativa de forjar uma marca de coronhada no capacete do condutor - evidenciam adulteração e ocultação provas e desmontam a tese de acidente.
Depois de muita luta e comoção pública, um mês após o assassinato, a família de Lua conseguiu que fosse instaurado inquérito na polícia civil. O autor do crime foi demitido, mas julgado inocente pela Justiça Militar do Estado de São Paulo, em decisão arbitrária. A luta por justiça continuou e o julgamento militar foi anulado. Mesmo assim, Coelho foi readmitido à polícia militar. Em 2018, a Justiça Civil de Presidente Prudente se pronunciou pela realização do Tribunal do Júri. Desde então, a defesa de Marcelo Coelho usa de subterfúgios para adiar o julgamento. A pandemia protela ainda mais o processo. Após 7 anos, a família ainda lida com a angústia de aguardar por um desfecho que nunca vem.
Para Rafael, compositor de Guerreira d’Arte, a única forma de justiça em que se pode acreditar é a de dedicar-se ao que Lua tanto gostava: fazer as pessoas sorrirem. “Acordá-las para uma vida voltada para o sentir e não para o consumir. Que a alegria que geramos possa sempre ofuscar a violência infindável desse mundo, para assim propagarmos sua vibrante existência entre nós”, conclui Rafael.

Foto: Arquivo: Os Mamatchas - Luana Barbosa era atriz, arte-educadora e produtora cultural

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