Moradores se preocupam com focos do vetor

O principal motivo é o acúmulo de lixo e recipientes com água em terrenos, imóveis, e o descaso em relação ao combate à epidemia de dengue que acomete o município.

PRUDENTE - Mariane Gaspareto

Data 17/02/2016
Horário 11:50
Ao longo da última semana, o whatsapp do jornal O Imparcial recebeu reclamações de locais com possíveis focos do mosquito Aedes aegypti - vetor da dengue, zika vírus e chikungunya – em diversos bairros de Presidente Prudente. O principal motivo é o acúmulo de lixo e recipientes com água em terrenos, imóveis, e o descaso em relação ao combate à epidemia de dengue que acomete o município.

Em um sítio particular no Parque Jabaquara, na altura do número 2.900, na Rua Alvino Gomes Teixeira, moradores têm despejado lixo e um grande número de pneus, o que tornou o espaço um criadouro de mosquitos e pernilongos – mas escondido, já que a vegetação alta impede a visualização do "lixão particular". Valdecir Moreira Neves, 49 anos, que é responsável pela limpeza do local, esclarece que a propriedade tem "grandes dimensões".

Jornal O Imparcial Sítio particular foi transformado em lixão no Parque Jabaquara

Segundo Valdecir, é "impossível" controlar a situação da propriedade por sua extensão, além do fato de a população despejar resíduos regularmente. "Tem um pessoal que vem com saco de lixo e larga aqui, pensando que é para isso que existe a propriedade. Esses dias a Prefeitura até veio aqui e ajudou a limpar, mas não adianta", declara.

O funcionário público Antonio Aurelio Jurazeky, 46 anos, declara que fica apreensivo pela situação do local diante do surto de dente que acometeu Prudente. "A proliferação do mosquito é culpa de quem não cuida do seu próprio quintal, larga lixo em tudo que é mato e não faz um combate eficiente. Tem gente que ainda coloca fundo de garrafa de vidro em cima do muro, o que também acumula água", aponta.

Já o vendedor Luis Henrique Faria, 29 anos, acrescenta que notou o grande número de pernilongos e mosquitos assim que montou seu comércio, que fica bem na frente do terreno. "Isso é um perigo nesses períodos de muita chuva. Aqui no meu quintal eu cuido para não deixar água parada, mas não é todo mundo que tem essa consciência", lamenta.

Em uma casa na Vila Estádio, no cruzamento entre a Avenida Washington Luiz e a Rua Sete de Setembro, a calha entupida está há dias acumulando água, o que preocupa a moradora Raquel Delfin Moscardi. Conforme ela, o problema poderia ser resolvido facilmente, bastando tirar o que estiver obstruindo a calha, evitando que o local se torne um criadouro do Aedes aegypti. "A porteira do nosso prédio utilizava repelente e até plantou uma crolatária, utilizada no combate ao mosquito, mas mesmo assim não conseguiu escapar e pegou dengue", conta.

Já no bairro São Lucas, um buraco próximo a um condomínio na Rua Vilma Gianotti Martinez também preocupa o carpinteiro Roberto da Silva Oliveira, 42 anos, pois tem acumulado água da chuva há uma semana. "O local até foi isolado para que as pessoas não caiam ali, mas ainda assim é perigoso, e precisa ser reparado com urgência para que não prejudique a própria estrutura da rua nem vire um criadouro do mosquito da dengue", expõe.

O analista de sistemas Roberto Lima de Alcaras, 41 anos, por sua vez, atenta para os possíveis focos na Avenida da Saudade, no Jardim Bongiovani, em um local próximo a uma casa noturna. Segundo ele, os jovens saem da boate e despejam diversos recipientes de bebidas como copos e garrafas em um canteiro ao lado da boate, os quais ele regularmente vira de "cabeça para baixo" justamente para evitar os criadouros do Aedes aegypti.

Combate


A educadora de saúde da VEM (Vigilância Epidemiológica Municipal), Elaine Bertacco, esclarece que o órgão registrou um crescimento nas denúncias recebidas referentes a imóveis e terrenos com criadouros do mosquito vetor. Ela ressalta, no entanto, que a população "deve ter paciência, pois a demanda é muito grande e a extensão da cidade impede, às vezes, uma celeridade na fiscalização". "É importante que os moradores também nos auxiliem tentando primeiro dialogar com o proprietário do local ou com a imobiliária responsável para que o acúmulo de água seja evitado, além de fiscalizar seu próprio quintal regularmente", aponta. Em uma situação de surto de dengue, como a que Prudente enfrenta hoje, o engajamento da população no combate ao Aedes aegypti é essencial, de acordo com Bertacco.

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