Mortalidade por aids apresenta ritmo de queda na região desde 1995

Foram 8,56 óbitos por 100 mil habitantes naquele ano e 4,11 em 2021; médico infectologista destaca tratamento precoce e aumento na procura pela testagem como fatores preponderantes

REGIÃO - DA REDAÇÃO

Data 05/12/2022
Horário 14:00
Foto: Vinicius Marinho/Fiocruz
Pessoas com vida sexual ativa devem se testar por, pelo menos, uma ou duas vezes no ano, diz médico
Pessoas com vida sexual ativa devem se testar por, pelo menos, uma ou duas vezes no ano, diz médico

O panorama da mortalidade por aids (síndrome da imunodeficiência adquirida) apresenta ritmo de queda desde 1995 na área do DRS-11 (Departamento Regional de Saúde), que abrange 45 municípios da região de Presidente Prudente. De acordo com dados divulgados pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), ocorreram 8,56 óbitos por 100 mil habitantes em 1995; 6,65 em 2010; e 4,11 em 2021.

No comparativo entre os 17 Departamentos Regionais de Saúde, Prudente apresenta a quinta maior taxa de mortalidade pela doença no ano passado, ficando atrás das regiões da Baixada Santista, com 6,83 mortes por 100 mil habitantes em 2021; Franca, com 5,14; Piracicaba, com 4,84; e Araraquara, com 4,62. As menores taxas, por outro lado, são observadas nas regiões de Araçatuba, com 2,87 óbitos por 100 mil habitantes no ano passado; e Ribeirão Preto, com 2,89.

O infectologista prudentino André Luiz Pirajá da Silva atribui tal queda na região ao tratamento precoce iniciado pelos pacientes após o diagnóstico de HIV (vírus da imunodeficiência humana) ou aids ao longo dos últimos anos. Além disso, o médico acredita que, com a pluralização das informações sobre a infecção, cresceu a procura pelo serviço de testagem, o que reflete diretamente na queda do número de pessoas doentes e, consequentemente, de mortes pela síndrome.

Para evitar que o vírus evolua para a doença, o especialista adverte que toda pessoa com vida sexual ativa e que não tenha parceiro fixo deve fazer a testagem por, pelo menos, uma ou duas vezes no ano. Segundo ele, a prevenção é importante porque também assegura o diagnóstico de outras ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), como sífilis e hepatites.

Atualmente, além do teste de HIV oferecido pelos serviços de saúde, os pacientes também têm acesso aos autotestes, que, segundo Pirajá, são “extremamente práticos, confiáveis, seguros e rápidos”, podendo ser feitos no conforto de casa.
O médico destaca que, além da testagem, pessoas mais vulneráveis à exposição ao risco podem passar por consulta com infectologista para que seja analisada a possibilidade da profilaxia pré-exposição e da profilaxia pós-exposição ao HIV.

O que são as profilaxias

De acordo com o Ministério da Saúde, a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV) é um novo método de prevenção à infecção pelo vírus e consiste na tomada diária de um comprimido que permite ao organismo estar preparado para enfrentar o possível contato com o HIV antes de uma eventual relação sexual de risco. A combinação de medicamentos deve ser tomada diariamente e não protege contra outras ISTs.

Já a PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV) é uma medida de prevenção de urgência para ser utilizada em situação de risco à infecção pelo vírus, por meio do uso de medicamentos ou imunobiológicos para reduzir o risco de adquirir o HIV. É necessária após qualquer situação em que exista risco de contágio, como violência sexual; relação sexual desprotegida (sem o uso de camisinha ou com seu rompimento); ou acidente ocupacional (com instrumentos perfurocortantes ou contato direto com material biológico).

Conforme a pasta federal, a PEP deve ser iniciada o mais rápido possível, preferencialmente nas primeiras duas horas após a exposição de risco e, no máximo, em até 72 horas. “A profilaxia deve ser realizada por 28 dias e a pessoa tem que ser acompanhada pela equipe de saúde, inclusive após esse período realizando os exames necessários”, informa.

HIV e aids

Ainda segundo o Ministério da Saúde, o HIV é uma infecção sexualmente transmissível e possui um período de incubação prolongado antes do surgimento dos sintomas da aids. Ele ataca o sistema imunológico, que é o responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+. O vírus é capaz de alterar o DNA dessa célula e fazer cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção.

A pasta esclarece que pessoas vivendo com HIV e/ou aids que não estão em tratamento ou mantêm a carga viral detectável podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações.

Já pessoas em tratamento antirretroviral e carga viral indetectável há pelo menos seis meses não transmitem o vírus por via sexual.

Taxas regionais de mortalidade por Aids

DRSs (Departamentos Regionais de Saúde), 1995-2021, por 100 mil hab.

Departamento Regional de Saúde

1995

2010

2021

DRS 04 - Baixada Santista

43,53

14,32

6,83

DRS 08 - Franca

15,08

5,70

5,14

DRS 10 - Piracicaba

18,26

9,28

4,84

DRS 03 - Araraquara

17,65

6,85

4,62

DRS 11 - Presidente Prudente

8,56

6,65

4,11

DRS 12 - Registro

4,83

6,58

3,93

DRS 15 - São José do Rio Preto

24,68

8,29

3,81

DRS 16 - Sorocaba

18,78

6,74

3,71

DRS 01 - Grande São Paulo

26,07

7,38

3,66

DRS 17 - Taubaté

23,73

10,08

3,63

DRS 05 - Barretos

24,25

11,00

3,52

DRS 09 - Marília

8,91

5,71

3,51

DRS 06 - Bauru

15,81

5,73

3,37

DRS 07 - Campinas

14,54

5,54

3,37

DRS 14 - São João da Boa Vista

9,19

6,72

3,32

DRS 13 - Ribeirão Preto

34,62

8,90

2,89

DRS 02 - Araçatuba

14,40

7,79

2,87

Fonte: Fundação Seade

Publicidade

Veja também