Museu da Língua Portuguesa

António Montenegro Fiúza

«Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódias
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
Minha pátria é minha língua
Fala Mangueira! Fala! (…) » Caetano Veloso, Língua 

Para quem nasceu nas gerações anteriores, o conceito de museu é especialmente definido como um espaço de arte e cultura, onde se encontram pinturas, esculturas ou fotografias, expostas num pedestal ou devidamente enquadradas. As peças, extremamente valiosas e raras, só são acessíveis através dessas instituições. 
Mas a imagem do museu sombrio, de sobriedade distante, fria e impessoal não poderia ser mais distante da do Museu da Língua Portuguesa, um espaço que cultua o patrimônio histórico e imaterial deste idioma tão querido. Fundado no ano de 2006, na cidade de São Paulo, a urbe com o maior número de falantes lusófonos, o museu renasce das cinzas em agosto de 2021, para gáudio de todos. 
O Museu da Língua Portuguesa promove uma viagem pela história, pela diversidade e riqueza do idioma, através de conteúdos audiovisuais, imersão e  interatividade; e proporcionara experiências simultaneamente lúdicas e educativas a quase 4 milhões de pessoas, nos seus primeiros dez anos de funcionamento, antes de ser consumido pelas chamas, em dezembro de 2015. 
Exposições temporárias e permanentes, homenagens a escritores , poetas e músicos, cursos, palestras utilizados para apresentar e demonstrar o dinamismo da língua portuguesa, tão presente nos escritos literários quanto no dia-a-dia das pessoas mais comuns. Apresentar as variantes existentes por todos os continentes, as suas raízes comuns e as transmutações regionais.
Para este amante da língua portuguesa, quem ficou deveras surpreendido e extasiado, depois de uma primeira visita, está agendada uma nova visita, a esse espaço restaurado e renascido das cinzas.
«Esta é uma declaração de amor; amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutileza e de reagir às vezes com um pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa do superficialismo.» Clarice Lispector 
 

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