Nível mínimo necessário. Perigo!

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Sem dúvida você tem força suficiente – hoje – para descarregar algumas caixas com compras do mercado e para levantar algumas cadeiras do chão para cima da mesa num dia de limpeza. Mesmo que não levante uma barra de 270 Kg do chão até acima da cabeça, como o georgiano Lasha Talakhadze (28 anos), a força que você tem hoje é suficiente, certo?   

Mínimo
A manutenção dos sistemas fisiológicos tem um custo de energia, de renovação celular e de transformação de moléculas, por isso o corpo está sempre se adaptando às demandas. Quando é estimulado com um esforço físico, uma condição de estresse ou um desafio intelectual (aprendizagem), os sistemas se adaptam de forma aguda e crônica, esta última quando o estímulo é repetido. Por outro lado, quando não é estimulado, o corpo mantém as funções no nível mínimo necessário (NMN).

Início do declinio
A partir dos 45-50 anos tem início o declínio natural das funções fisiológicas e, com isso, até o nível mínimo necessário começa a ser perdido gradativamente. O único tecido que a maioria das pessoas ganha nesta fase é o adiposo. Tecido muscular e ósseo, elasticidade da pele, flexibilidade das articulações e libido são algumas das perdas comuns. A perda do tecido muscular está diretamente ligada a algumas destas outras perdas. Por isso, lembre-se: estimular os músculos é importante para aumentar o ponto inicial da perda (PIP) e preservar as funções fisiológicas.

Força
A força tem relação com o volume, capacidade metabólica e inervação dos músculos. Já estão muito bem estabelecidas as perdas naturais da massa muscular, principalmente na senescência (1 a 2% por ano), da força (dinapenia) que é ainda maior (2,5 a 3% por ano) e da potência (3,5% por ano). A perda de força se deve às perdas da massa muscular, da eficiência do estímulo nervoso e da capacidade metabólica. Algo para se preocupar, porque perdas de força e potência significam limitação para as atividades diárias.

Mínimo insuficiente
Na senescência, aos 70 ou 80 anos, após ter perdido boa proporção da força, certamente haverá dificuldades para realizar movimentos com o peso do próprio corpo, como se levantar de uma cadeira, subir degraus de uma arquibancada ou de uma escada comum. Adicionalmente, diminuição de força e potência faz aumentar a dependência de terceiros, o risco de quedas e fraturas e o tempo necessário para recuperação.

Preparação?
Seus pais e avós estão levantando e carregando pesos no cotidiano, fazendo musculação ou treinamento funcional numa academia? Se não fazem, receio que estejam a caminho de baixar o nível mínimo necessário, a linha a partir da qual dependerão de apoio para se levantar, para andar e até pegar objetos. Essa dependência física influencia negativamente a autoestima e outros aspectos emocionais. E você que está na faixa dos 30 ou 40 anos, está se preparando para permanecer “bem acima” do nível mínimo necessário?

Perdas de força e potência significam limitação para as atividades diárias.

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