Existe uma categoria especial de seres humanos, aqueles que chegam para ensinar o mundo a sorrir. O Neder Renato Isaac, nosso querido irmão Teco, era um deles. Não era uma brisa passageira, mas um vendaval de luz, que transformava cada passo em um espetáculo, cada conversa em um encantamento. Se a vida é um grande palco, Teco soube, como ninguém, equilibrar a maestria do drible com a melodia de uma gargalhada que cura.
Tudo começou em Londrina, com um palco e um microfone. Aos 12 anos, ele não apenas dublou Chuck Check, ele encarnou o Rei do Twist, arrancando aplausos e risos que ecoaram muito além da televisão. Ali, Teco mostrou que sua missão era o movimento da alegria, o ritmo do riso. Ele não deixava ninguém parado, fosse na pista de dança ou na rotina da vida. Aquela coreografia infantil era apenas o ensaio para a grande performance de uma existência dedicada a ver o próximo sorrir. Seu carisma, estampado no rosto, era a promessa diária de que a vida, apesar de tudo, era para ser celebrada.
No grande campo da vida, vestia a camisa 7 com a audácia dos gênios. Com aquele brilho nos olhos e um sorriso maroto, ele garantia que, depois dele, "só o Garrincha chegou perto". Um humorista nato. E, na verdade, no campo do afeto, ele era imbatível. Sua velocidade não estava apenas nas pernas; estava na agilidade para socorrer um amigo, para disparar a piada certa no momento de tensão, para transformar um dia cinzento em uma explosão de cores. Corinthiano de alma, ele entendia que "ser sofredor" era apenas a antecâmara da glória de viver intensamente, de vibrar em cada lance, de se entregar por completo.
Para nós, que ficamos com a saudade no peito, o silêncio da partida é preenchido pela força do que ele plantou. Renato, Dinho e Paulinho não são apenas filhos; são a extensão do seu caráter, a "semente eterna" que garante que o nome Neder Renato continue sendo sinônimo de integridade, alegria e generosidade. E a essa árvore genealógica abençoada, somam-se as pérolas que ele tanto amou: seus netos e netas Tomé, Maria, Ana, Isis, Sara e Aila, suas noras Renata e Stela que carregarão consigo a centelha do avô e sogro divertido. Ao seu lado, como uma fortaleza de ternura, sempre esteve Cecília, o amor eterno que compreendeu cada silêncio e celebrou cada aplauso de sua jornada.
A saudade grita mais alto nos almoços de sábado na casa da nossa Mãe Mariana (a mãe de todos) e do seu Ilem Isaac, nos Pré dos casamentos comandados pelo querido Tio Nerinho, nos jogos do Corinthians, onde a alegria das vitórias e as lágrimas das derrotas eram compartilhadas em um grito uníssono de paixão. Essas memórias são o tesouro que Teco nos deixou, a fortuna que carregamos em nossos corações.
Hoje, nosso Charles Chaplin se retira de cena sem dizer um adeus definitivo, apenas saindo para um breve intervalo. Ele partiu para o infinito, onde as arquibancadas são feitas de nuvens e o campo de futebol não tem fim. Fica o vazio da ausência, mas, muito mais forte, fica o tesouro das memórias: o som da sua risada, o ritmo do seu twist e a certeza inabalável de que ele viveu cada segundo como um verdadeiro show.
"Teco, você nos ensinou que a maior vitória não está no placar final, mas na quantidade de sorrisos que arrancamos durante o jogo. Siga driblando as estrelas. Aqui, a sua torcida continua vibrando por você, hoje e para sempre."
Vá em paz, meu irmão querido. Obrigado por tudo, por cada riso, cada ensinamento, cada momento. Prometemos sorrir sempre, lembrando sempre de você, pois é assim que seu legado de alegria continuará vivo em cada um de nós. O céu está mais alegre e a terra mais triste.
"A ferida é por onde a luz entra"...