O garoto que queria voar alto: Giovane Gávio emociona empresários em noite da Manchester Investimentos no Varanda

SINOMAR CALMONA

Em diálogo conduzido por Marcos Neuhaus, bicampeão olímpico revela suas maiores renúncias, o tombo após ser o melhor do mundo e como a busca pela alta performance conecta as quadras ao mercado financeiro

COLUNA - Sinomar

Data 11/06/2026
Horário 05:15
O bicampeão olímpico Giovane Gávio e Marcos Neuhaus, mediador da sua palestra em Presidente Prudente
O bicampeão olímpico Giovane Gávio e Marcos Neuhaus, mediador da sua palestra em Presidente Prudente

Houve um tempo em que os heróis de Giovane Gávio vestiam farda. Nascido em Juiz de Fora (MG), o menino sonhava em pilotar caças da Força Aérea Brasileira. O destino, contudo, mudou de rota no início dos anos 1980, quando a "Geração de Prata" do vôlei brasileiro invadiu as telas de televisão. O impacto foi tão avassalador que qualquer cerca ou pedaço de arame no quintal de casa virava rede. O garoto queria voar, mas descobriu que não precisava de asas ou de um avião para isso: sua envergadura de 2,15 metros e uma impulsão que o colocava a 3,60 metros do chão seriam os seus passaportes para o topo do mundo.
Na última segunda-feira, esse mesmo garoto — hoje uma lenda viva do esporte nacional, empresário e sócio da Manchester Investimentos — subiu ao palco do Restaurante Varanda, em Presidente Prudente. Diante de uma plateia atenta de empresários, diretores e empreendedores locais, Giovane não entregou fórmulas prontas. Em um diálogo humanizado e dinâmico, mediado por Marcos Neuhaus, do marketing da Manchester, ele despiu o mito do atleta perfeito para falar sobre o que realmente sustenta equipes fortes a longo prazo: a consistência, a dor das decisões e a coragem de recomeçar.

DA PAREDE DE CASA AO 
DESAFIO DA PRESSÃO ITALIANA

A trajetória de Giovane foi construída na base da insistência. Ao sair de casa aos 16 anos para jogar no Banespa, em São Paulo, ouviu de um técnico que sua manchete parecia uma "quina" e que a bola insistia em espirrar.
"Eu tinha tudo para desistir ali", relembrou Giovane. "Mas fui para a parede. Eram 1.000, 1.500 vezes por dia batendo a bola na parede. Entendi muito cedo que fazer a bola encaixar dependia muito mais de mim do que dos outros."
Essa mesma busca por excelência o levou, aos 20 anos, para a Itália, o epicentro do vôlei mundial na época. Lá, sob a exigência de dirigentes que prometiam prêmios nas vitórias e multas nas derrotas, ele aprendeu a lidar com o peso de ser o estrangeiro acionado nos momentos mais críticos. Foi na Europa que seu mentor, o técnico Silvano Prandi, lhe fez uma provocação clássica: "Você prefere um Fusca ou uma Ferrari?". Ao escolher a Ferrari, Giovane ouviu o alerta: "A Ferrari tem muita potência. Se você não souber cuidar, ela roda. Você tem tudo para ser uma Ferrari, mas precisa aprender a se cuidar fora do ambiente de trabalho".
Essa analogia, segundo o ex-atleta, conecta-se perfeitamente ao ecossistema da Manchester Investimentos e do mercado corporativo moderno. "A nossa vida sempre foi alta performance. E o mercado financeiro é isso: alta performance total no dia a dia dos assessores e na busca por informações para tomar boas decisões. Mas não é uma alta performance a qualquer custo, porque o preço pode ser a nossa saúde mental, física ou financeira", alertou.

O PREÇO DO TOPO E A 
DESCONSTRUÇÃO DO ÍDOLO

Um dos momentos mais tocantes da noite foi quando Giovane compartilhou o lado invisível do ouro olímpico. Ele revelou que, após ser eleito o melhor jogador do mundo em 1993, a cobrança interna e a vaidade o sufocaram. Veio a estafa: em 1994 começou a tomar remédios para pressão alta; em 1995 enfrentou a labirintite e a síndrome do pânico; em 1996, desabou na depressão.
Para fugir daquela armadura sufocante, abandonou as quadras e foi para o vôlei de praia com o parceiro Tande. Foi um choque de realidade. "Pintei o cabelo de loiro, fiz tatuagem de dragão, comprei um Porsche, separei da minha mulher e achava que 'agora era a hora'. Durou seis meses. O Porsche eu bati e deu perda total. Tive que colocar a sandália da humildade e aprender a jogar no vento, na areia movediça."
Essas quedas moldaram o gestor e líder que ele se tornou posteriormente, comandando equipes de base por 12 anos. "Eu olhava para trás e sentia falta de ter tido, aos 18 ou 20 anos, quando comecei a ganhar em dólar, um assessor financeiro. Profissionais competentes que me ajudassem a proteger e a potencializar o que conquistei. Por isso, fazer parte da Manchester hoje, aos 50 e poucos anos, é sobre legado. É cuidar do patrimônio com quem entende."

"SE QUISER SE FODER POR MAIS 20 
ANOS, VOCÊ SERÁ UM BOM TÉCNICO"

Giovane divertiu o público ao lembrar de quando confidenciou a Bernardinho o desejo de se tornar treinador, ouvindo do comandante uma resposta curta e grossa sobre o nível de sacrifício que a nova função exigiria: "Antes você só pensava em você, agora vai ter que pensar em 20 caras e planejar tudo. Você quer isso de novo?".
A dor do cansaço e as renúncias de uma vida inteira — como o tempo longe dos pais, a distância no crescimento dos quatro filhos e os joelhos gastos por mais de 200 saltos diários ao longo de duas décadas — foram colocadas na balança. E o saldo, para ele, é amplamente positivo.
No encerramento, sob aplausos calorosos que ecoaram pelo Varanda Restaurante, o bicampeão deixou uma provocação que permaneceu na mente de cada investidor e empresário presente na noite especial da Manchester Investimentos:
"Chegar em casa cansado não é motivo para desistir. É motivo para descansar, mas, acima de tudo, para ter a certeza absoluta de que valeu a pena. Quando vocês saírem de casa, saiam para fazer a melhor versão de vocês. Saiam para impactar o maior número de vidas possível, porque sozinho ninguém ganha nada. É preciso ter um time bom junto com a gente."


GIOVANE GÁVIO: “O QUE REALMENTE SUSTENTA EQUIPES FORTES A LONGO PRAZO: A CONSISTÊNCIA, A DOR DAS DECISÕES E A CORAGEM DE RECOMEÇAR”

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