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Os desafios da educação em tempos de Covid-19

OPINIÃO - Mauro Bragato

Data 16/07/2020
Horário 04:18

A pandemia do novo coronavírus impingiu a todos uma série de dúvidas, preocupações e desafios. Um dos maiores que vamos enfrentar nos próximos meses será a volta às aulas. Desde que o governo paulista anunciou a quarentena, com a suspensão de diversos serviços e atividades em São Paulo, nasceu a dúvida sobre o tamanho do impacto na educação. E, agora, a partir do anúncio do governador João Doria, feito no fim de junho, de que as redes públicas e privadas poderão retomar as aulas de forma gradual a partir de 9 de setembro, o desafio está cada vez mais perto de ser enfrentado.
Somente na rede estadual são 3,6 milhões de estudantes em mais de 5.000 escolas. Visto isso, temos certeza de que se avizinha um cenário sem precedentes, que exigirá inédita ação de educadores, políticos e gestores públicos. Não resta dúvida que a prioridade será a manutenção da saúde dos alunos e familiares, seguindo orientações médicas e científicas.
Ações emergenciais e fundamentais foram tomadas. Professores precisaram repensar o processo de ensino, gestores tiveram que adaptar o cronograma curricular para o ensino à distância e os alunos se moldaram ao novo paradigma de aprendizagem. A luz surgiu no túnel acendendo a esperança para a retomada do ensino público e privado, mesmo que de forma gradual.  
Para que a reabertura ocorra, o Estado todo deverá estar, pelo menos, na fase amarela do Plano São Paulo, que estabelece as diretrizes de flexibilização da economia. Por isso a importância de espaçar a reabertura para que a curva de contaminação esteja em declínio. 
Professores, gestores, agentes públicos deverão se debruçar em um planejamento acadêmico, uma vez que as escolas irão se deparar com novos desafios que só poderão ser enfrentados com o apoio de outras áreas da Educação, da Saúde e da Assistência Social. 
Os efeitos na saúde mental de alunos e educadores, como a longa duração do isolamento, o medo de infecção, as incertezas quanto aos recursos financeiros, a falta de informação adequada e, até mesmo, o convívio prolongado em um ambiente doméstico (por vezes, de violência e abuso) demandarão ações muito além de respostas pedagógicas e educacionais. Além disso, o retorno precisará ser cuidadosamente planejado do ponto de vista sanitário, uma vez que, muito provavelmente, ainda estaremos em meio a preocupações quanto à pandemia. 
Diante da nova realidade, reforço que será preciso unir poder público, sociedade civil e educadores para, juntos, superarmos essa adversidade e preparar nossos jovens para a nova realidade.

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