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Os sonhos e seus significados

Sempre quando sonhamos ficamos focados por um tempo a pensar sobre o seu significado. Os sonhos nos deixam irrequietos. Alguns se repetem, outros sonhos são estranhos e alguns curiosos. Perguntam: “Por que sonhei isso, que quer dizer?”. Sigmund Freud, o pai da psicanálise, após deixar o método da hipnose para tratar seus pacientes com transtornos mentais, amplia em muito o significado e sentido dos sonhos. Em associações livres os pacientes relatavam seus sonhos. Freud também sonhava, começou a pensar sobre o simbolismo dos mesmos e correlacionar a dinâmica mental, sua história de vida ao cotidiano. Sabemos, pela interpretação de sonhos, que o pensamento onírico inconsciente é transformado em sonho manifesto, através de um trabalho de figurabilidade do qual fazem parte condensações, deslocamentos e revisões secundárias. Ou seja, o sonho manifesto comunica ao sonhador e a seu analista os pensamentos oníricos inconscientes, em forma disfarçada. As imagens do sonho buscam símbolos verbais e, dessa forma, o sonhador transforma símbolos imagéticos, inicialmente inconscientes, em pensamento verbal consciente.

Essa transformação permite novas vinculações conscientes e inconscientes com outras experiências e pensamentos, ampliando-se a capacidade de pensar. Há algumas frases célebres proferidas por Freud a respeito de sua teoria dos sonhos: “A análise dos sonhos é uma via régia para o inconsciente”; “Os sonhos são os guardiães do sono”; ”No sono nossa relação com a realidade é temporariamente suspensa. Parte da repressão é relaxada e ocorre regressão, de forma que desejos arcaicos inconscientes esforçam por expressar-se”; “A motilidade e a ação ficam suspensas e os desejos reprimidos buscam expressões ‘numa experiência alucinatória benigna’”.

Por exemplo, “o químico Kekulé buscava a formula do benzeno e, por mais que pensasse, ela não lhe vinha a mente. Uma noite sonhou com várias cobras que mordiam o rabo uma da outra, formando certas configurações geométricas. Isto é, suas experiências emocionais, fruto de suas investigações, foram transformadas em pensamento onírico inconsciente. O trabalho do sonho transformou esse pensamento em imagens, as cobras do sonho manifesto. Quando acordou, Kekulé associou essas imagens a um hexágono e em seguida se deu conta que havia encontrado o que buscava significar: a formula do benzeno (psicanalista didata-Cassorla-2015)”.

Os pesadelos fazem as pessoas acordarem. São sonhos ou não-sonhos interrompidos. Quando a simbolização não é possível, a descarga se impõe, daí que surgem os pesadelos. Quando há sonho é porque a simbolização já está ocorrendo. Como assim? Recordemos que símbolos são elementos que permitem lidar com a realidade em sua ausência e se caracterizam pela capacidade de vinculação, de se articularem em redes, em tramas simbólicas, cujas conexões ampliam a capacidade de pensar. Por exemplo, uma palavra ouvida numa língua estranha, ao não ter significado não pode entrar em qualquer rede simbólica. Não ocorre pensamento. O contrário ocorrerá se soubermos sua tradução à nossa língua, sua palavra-simbolo, que atrairá outros símbolos, entrando na trama simbólica.

O sonho quase sempre está ligado a algum evento ocorrido durante o dia. Freud chamava esse evento de “resíduo diurno”. É possível que tal evento seja suficientemente importante para que seja compreensível que influencie o sonho. Mas seja ele importante ou trivial, o resíduo diurno é um evento que de algum modo se liga, na mente do paciente, a algum conflito inconsciente mais profundo, vindo a representá-lo. De alguma forma, o resíduo diurno que desencadeia o sonho é similar a um acontecimento que poderia ter dado início a uma neurose ou a um sintoma específico. A não satisfação de desejos profundamente arraigados dá origem a tensões internas.

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