Outono

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista dos tempos da Condor Filmes

COLUNA - Sandro Villar

Data 23/03/2021
Horário 07:30

Já estamos no outono, estação que oficialmente começou sábado e termina no dia 21 de junho.  Espero que não seja uma estação tão cinzenta e que a luz possa ser vista no fim do túnel, sem o Geno e o Cida ameaçando a democracia. Tanto quanto o verão o outono também inspira escritores e compositores.   
Há inúmeras canções que falam do Outono e, na Literatura, lembro-me do romance O Outono do Patriarca, de Gabriel Garcia Márquez, em que ele fala de um velho ditador solitário.
Não há dúvidas de que, de todas as músicas que retratam esta estação do ano, a mais famosa é a francesa “Les Feuilles Mortes” (As Folhas Mortas), de Jacques Prévert e Joseph Kosma. A letra é um poema de Prévert, de 1945, "musicado" por Kosma, compositor húngaro naturalizado francês.
É enorme a lista de cantores e orquestras que gravaram “Les Feuilles Mortes” e, para resumir, cito Ives Montand e Andrea Bocelli. Um trecho da letra diz "você que me amava, eu que te amei, mas a vida separa aqueles que amam lentamente, calmamente". Enfim, são as folhas mortas do outono que o vento leva.
A versão em inglês de Les Feuilles Mortes, Autumn Leaves, também ficou famosa e foi gravada por dezenas de artistas, entre cantores, orquestras, bandas etc e tal. Edith Piaf, a voz da França(a voz do Brasil é a Anitta), também gravou a versão em inglês feita pelo compositor Johnny Mercer, parceiro de Henry Mancini em clássicos como Moon River e outros sucessos.
Frank Sinatra, Tony Bennett, Louis Armstrong, Ella Fitzgerald e Miles Davis também gravaram Autumn Leaves. Com seu trompete característico, a gravação de Miles Davis dura quase 11 minutos. Diria que é um som de Night Club pra lá de agradável.
Um trecho da letra de “Autumn Leaves” é melancólico: "Eu sinto sua falta mais do que tudo, minha querida, quando as folhas de outono começam a cair". 
Outro clássico é “Autumn In New York”, de Vernon Duke, também com inúmeras gravações, como a de Billie Holiday, considerada a maior cantora americana. Na visão de Duke, "Outono em Nova York traz a promessa de um novo amor, muitas vezes misturado com dor". 
Outra bela canção é “Autumn Of My Life”, de Bobby Goldsboro, que, se entendi direito e esquerdo, parece um roteiro das nossas vidas. É aquela velha história, ela chegou à Primavera da minha vida, me deu filhos e, agora, estou no outono da minha vida. Fred Jorge fez a versão para o Português e Moacyr Franco gravou muito bem.
Compositores clássicos também falaram do outono, entre eles Vivaldi, que destaca a estação em sua famosa obra “As Quatro Estações”. Roberto Carlos, ex-Friboi, gravou “Folhas de Outono”, de Francisco Lara e Juvenil Santos. Enquanto o sujeito espera a volta da amada, diz a letra, "o vento leva as folhas que estão no chão".
Djavan, um dos últimos grandes cantores do Brasil, compôs “Outono”, mas a letra é um pouco hermética e parece o Guedes quando fala. O cara se oferece à amada, observando que "tudo é viável pra quem faz com prazer". Em suma: segundo Djavan, o outono traduz um esplendor.
Por falar nisso - e para encerrar esse papo -, é um esplendor o verso inicial de Ana Carolina na canção “Ruas de Outono”: “Nas ruas de outono os meus passos vão ficar e todo o abandono que eu sentia vai passar". Coisa de poeta ou, no caso, poetisa.
 
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Água mole em pedra dura tanto bate até que inunda.

Quem não tem plano de saúde consulta o doutor Google.

Em terra de cego quem tem cão-guia é rei.

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