Pentecostes no Antigo Testamento era uma festa agrícola judaica, chamada de: Shavuot ou Festa das Semanas. A “Festa das Semanas” durava sete semanas, pois, começava no dia seguinte à Páscoa que é o dia 16 de Nisã, mês de março. Os israelitas contavam 49 dias e, depois iniciavam a celebração da Festa das Semanas no dia seguinte. Como caía no 50º dia após a Páscoa, a Festa das Semanas também era chamada de “Pentecostes”, ou seja, “quinquagésimo dia”. O povo de Deus apresentava ao Senhor dois pães, feitos de farinha fina e assados com fermento, como as primícias da colheita de trigo. Além da oferta de cereais, ofereciam um novilho, dois carneiros, sete cordeiros, juntamente com uma oferta pelo pecado de um bode e dois cordeiros machos como oferta de paz. O primeiro feixe da colheita de trigo, que são as primícias, eram oferecidos 50 dias depois, a Páscoa e Pentecostes marcavam o início e o fim da colheita de cereais. Com o tempo, passou a celebrar a aliança com Deus e a entrega da Torá (Lei) a Moisés no Monte Sinai. No Antigo Testamento, o Espírito de Deus já se manifestava, inspirando profetas, conduzindo líderes e sustentando o povo em meio às dificuldades. Contudo, essa presença ainda era experimentada de forma pontual, dirigida a pessoas específicas para missões particulares.
No Novo Testamento, Pentecostes está relatado no livro dos Atos dos Apóstolos 2, 1-13. Como era costume, os Apóstolos, juntamente com Maria, Mãe de Jesus, estavam reunidos para a celebração do Pentecostes judaico. De acordo com o relato, durante a celebração, ouviu-se um ruído, “como se soprasse um vento impetuoso”. “Línguas de fogo” pousaram sobre os apóstolos e todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em diversas línguas. O fenômeno das “línguas estranhas” é um dos sinais mais emblemáticos de Pentecostes. É compreendido como manifestação espiritual e carismática, símbolo da comunicação universal do Evangelho. O fogo é o grande símbolo de Pentecostes. Representa o ardor missionário, a purificação e a presença divina. Muitas igrejas acendem velas ou usam vestes vermelhas como expressão litúrgica dessa espiritualidade. O vento impetuoso e as línguas de fogo revelam que Deus continua a agir com poder, mas agora habita no coração de todos os que creem. Aos que foram batizados, receberam o Espírito Santo e com Ele os seus dons e carismas. São eles os sete dons: Sabedoria: que é a capacidade de ver todas as coisas com os olhos de Deus, valorizando o que é eterno. Entendimento: um dom para compreender as verdades da fé e as escrituras mais profundamente. Conselho: capacidade de discernir a vontade de Deus e tomar decisões corretas na vida. Fortaleza: a coragem e força espiritual para superar medos, dificuldades e defender a fé. Ciência: a capacidade de conhecer o verdadeiro valor das coisas criadas em relação ao Criador. Piedade: um dom de veneração e que move o coração a amar a Deus como um Pai amoroso e a tratar os outros com bondade. Temor de Deus: não é medo, mas profundo respeito e receio de se afastar de Deus devido ao seu amor. Assim os apóstolos, antes temerosos, tornam-se corajosos anunciadores do Evangelho. Pentecostes marca, portanto, o nascimento da Igreja, enviada ao mundo para proclamar a Boa Nova a todas as nações. Logo o que era promessa no Antigo Testamento torna-se realidade plena no Novo, revelando a fidelidade de Deus ao longo da história da salvação. Somos chamados a reconhecer essa ação contínua do Espírito em nossas vidas e na comunidade. Que possamos abrir nossos corações para essa presença transformadora. E permitir que o Espírito Santo nos conduza sempre no caminho do amor e da verdade.
MINI SERMÃO
Pentecostes não é apenas um evento do passado, mas uma realidade que se renova em cada um de nós. O mesmo Espírito que desceu sobre os apóstolos continua a agir hoje na Igreja e no mundo. Somos convidados a viver sob sua inspiração do espírito Santo, nos convence sobre o pecado, para buscarmos o caminho da santidade; a justiça, que não é castigo de Deus mais sim a conversão de nossos pecados e por último sobre a verdade apresentada pelo Cristo. Com efeito, os nomes dados ao Espírito Santo nos relatos do Novo Testamento, se fundem com a sua presença no meio da Igreja, até hoje: defensor, advogado, consolador, Espírito da Verdade. É por Ele que, em Pentecostes, se revela a plenitude do mistério da Santíssima Trindade, Sua relação e Seu plano de redenção para a humanidade. Pentecostes é o sair de si, do comodismo e testemunhar a nossa fé, com coragem e ousadia; a luz do evangelho para sermos instrumentos de Deus, na vida das pessoas. Abramos espaço em nossas vidas para que o Espírito Santo atue plenamente. E assim, renovados por sua graça, sejamos luz no mundo.
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