Pesquisa traça mapa da leishmaniose canina em PP

Dissertação demonstra que maior incidência da doença ocorreu nas zonas leste e oeste da cidade, devido fatores ambientais; de 2010 a 2015, município somou 618 casos de cães com a doença

PRUDENTE - ANDRÉ ESTEVES

Data 04/01/2017
Horário 08:47


De 2010 a 2015, Presidente Prudente acumulou 618 casos de cães com sorologia positiva para a leishmaniose visceral. Deste total, a maior concentração de ocorrências foi identificada nas zonas leste e oeste da cidade, as quais apresentam condições ambientais favoráveis para a dispersão da doença, como matéria orgânica em decomposição, fragmentos florestais, depósitos irregulares de lixo, bacias hidrográficas não canalizadas e animais abandonados. As informações foram apresentadas em um estudo científico realizado pela professora Loris Aparecida Felício Daniel e seu orientador, doutor Luiz Euribel Prestes Carneiro, que, juntos, traçaram um mapa que demonstra a relação dos fatores ambientais mencionados com o avanço da patologia no município.

Jornal O Imparcial Loris: "Zona central da cidade quase não registrou casos"

De acordo com Loris e Luiz, para chegar a tais conclusões, houve a necessidade de levantar o número de incidências de leishmaniose registradas em Prudente no período estudado. Um aspecto importante a considerar era o de incluir na pesquisa somente as ocorrências em que foi confirmada sorologia positiva para a doença. Sendo assim, foi preciso abrir mão dos números computados pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) e recorrer ao Instituto Adolpho Lutz, tendo em vista que o primeiro trabalha com a contagem de cães infectados, ao passo que o último tem o cálculo dos animais que desenvolveram a condição crônica.

"O CCZ colhe as amostras, encaminha para o Adolpho Lutz, que faz a sorologia do cão. Pode ser que esse animal não cronifique a leishmaniose, mas neste momento em questão, ele é portador e passa a ser infectante. O mesmo acontece com os humanos", esclarece Luiz. "Muitas pessoas se infectam, porque foram picadas pelo mosquito-palha, no entanto, seu organismo reage contra, bloqueia a doença e a cura ocorre espontaneamente. Apenas de 15% a 20% das pessoas adoecem. Em virtude da possibilidade de cura espontânea, era preciso distinguir os casos e trabalhar somente com aqueles que realmente revelassem sorologia positiva", acrescenta.

 

Desenvolvimento


Loris levantou no Instituto Adolpho Lutz 618 casos confirmados entre 2010 e 2015 e as quadras onde ocorreram. Com o número em mãos, era necessário fazer a organização da análise. Para isso, a professora dividiu o estudo em três biênios, que compreendem 2010 e 2011, 2012 e 2013 e 2014 e 2015. Observando a relação de incidências, ela e seu orientador puderam concluir as seguintes asserções: no primeiro biênio, as zonas leste e oeste foram as que apresentaram maior predominância de casos de leishmaniose visceral canina em Prudente. No segundo, a região oeste não registrou novos focos, no entanto, a leste permaneceu com grande concentração. No terceiro, por sua vez, um novo foco surgiu na zona sudoeste, na região do Conjunto Habitacional Ana Jacinta.

Loris e Luiz explicam que as zonas citadas são mais vulneráveis por apresentarem locais onde ocorre depósito irregular de lixo, terrenos baldios não controlados, curtumes, pequenas propriedades rurais com criação de galinhas (que favorecem a proliferação do vetor), bacias hidrográficas urbanas como as do Cedro, Limoeiro, Cascata e Gramado, grande quantidade de animais abandonados, que, normalmente subalimentados ou desnutridos, tornam-se presas fáceis do mosquito-palha e, no caso da leste, a presença do aterro sanitário. Para ambos, um método para reduzir o número de focos de leishmaniose visceral canina seria associar o controle destes animais não contidos e o cuidado ao meio ambiente ao fortalecimento de políticas públicas e educação da população.

O mapa de densidade gerado pelo estudo demonstra ainda regiões da cidade que, ao longo dos biênios analisados, "quase não registraram casos", como a zona central de Prudente e aquelas que abrangem condomínios fechados. "Isso porque a região central, a qual inclui bairros como Vila Machadinho e Jardim Aviação, e os condomínios fechados, possuem maior vistoria de terrenos baldios e animais com acompanhamento veterinário", denotam os parceiros. Intitulado "Fatores ambientais relacionados à dispersão da leishmaniose visceral canina em Presidente Prudente", o trabalho é resultado de uma dissertação de mestrado defendida pela professora em novembro de 2016. Concluída e aprovada, a pesquisa agora aguarda publicação.

 

 

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