Recentemente parei em um posto de combustíveis para abastecer, como de praxe. O frentista, um jovem bem solícito, fez a observação quanto a meu carro ser bonito e conservado. Agradeci e disse que procurava conservar bem o carro.
Na conversa que se seguiu, ele se manifestou quanto a comprar um carro. Comecei a questionar o que ele procurava, quanto queria investir, quais as condições que ele tinha para comprar.
Aos poucos ele foi situando que tinha um pouco de dinheiro, que precisava financiar, etc. lembrei que também tinha de se precaver com os gastos adicionais de tributos, seguro, revisão do carro, talvez algum reparo e, principalmente a parte mais importante de um automóvel, que é a manutenção.
Terminamos nossa conversa e segui com meus afazeres. Mas a ideia continuava a martelar na minha cabeça. Como alguém que deseja algo, precisa atingir seu objetivo, sem arruinar seus sonhos e sem arruinar suas finanças? Especialmente um jovem, que está no começo de suas conquistas patrimoniais. A decisão de orientar ou sugerir algo é importante, conciliando sonho com realidade financeira.
Me transportei para minha juventude, quando comprei meu primeiro carro. Senti a realidade de ter um pouco de dinheiro, para comprar o possível, realizando um sonho de ter um carro. Aprendi a esperar e poupar, me preparar para os imprevistos, etc.
Lógico que isto só pode ser possível quando abrimos mão do imediatismo, ter uma perseverança quanto ao objetivo final, e fazer escolhas intermediárias, para continuar a vida. Ou seja, organizar sua vida diária, custeando-a de forma equilibrada, para que possa sobrar algum dinheiro no final do mês, que será acumulado para atender seu sonho.
Ao perceber que fiz isso a vida toda, olho para frente e me deparo com outras expectativas de novos sonhos. Para os quais estou trabalhando, provendo meu dia a dia, reservando um pouco para minha coleção de sonhos, ainda que tenha a paciência de esperar.
A diferença daquele jovem, que está começando, e eu, que tenho mais passado que futuro, é zero. Ambos têm sonhos, estão com os pés firmes no chão, estão se dedicando para realizar seus sonhos, zelando pelo seu dia a dia.
Numa sociedade dominada pelo imediatismo, com consumismo sem freio, e uma ilusão de ter a qualquer custo (inclusive financeiro), construir um patrimônio, por menor que seja, aparenta ser um absurdo.
Entretanto, reside exatamente aí o maior aprendizado. Quando eu materializo um sonho em realidade, viabilizando sem perder meu dia a dia, estou construindo pequenas conquistas que se tornam hábitos que levamos para resto de nossas vidas.
Pessoas assim constroem empresas sólidas, tornam-se funcionários importantes, parceiros confiáveis, referência em sua família e comunidade imediata. Tudo a partir de um planejamento financeiro pessoal básico.