Plano Biden e o Brasil

OPINIÃO - Thiago Granja Belieiro

Data 20/05/2021
Horário 05:00

Escrevi nesse espaço, em março passado, que o mundo contemporâneo dava sinais claros de estar fora da ordem. Referia-me, naquela ocasião, à morte anunciada do Neoliberalismo, que dava sinais de esgotamento há alguns anos nos países do hemisfério norte. A crise instalada pela pandemia foi a pá de cal nesse modelo econômico e o presidente americano Joe Biden, para a surpresa do mundo, o seu coveiro.
Explico. O presidente democrata, Joe Biden, anunciou há alguns dias um ambicioso plano de recuperação econômica, que afasta os Estados Unidos definitivamente do modelo Neoliberal, reaproximando a maior potência do planeta do Neokeynesianismo e da socialdemocracia, pasmem, políticas claramente de centro esquerda. Como assim? 
A última guinada tão radical do modelo econômico estadunidense foi na década de 1930, durante os efeitos da crise de 1929. À época, Roosevelt e Keynes recolocaram os Estados Unidos nos trilhos do desenvolvimento com o New Deal (Novo Acordo) e o WelfareState (Estado de Bem Estar Social), com o Estado assumindo a geração de empregos através de obras públicas, gastos sociais e políticas educacionais. Para tanto, impostos de renda tinham alíquotas que chegavam a 91% da riqueza dos ricos e super ricos. 
Em 2021, o plano Biden possui três pilares principais. O primeiro pilar assenta-se na geração de empregos através de obras públicas nas áreas de tecnologia verde e desenvolvimento sustentável. O segundo pilar são investimentos pesados em educação, desde as creches até o ensino superior. O terceiro pilar assenta-se na elevação de impostos sobre empresas e pessoas físicas, especialmente os bancos, as grandes empresas de tecnologia, os ricos e super ricos. 
Enquanto isso no Brasil, vivemos uma crise sanitária sem precedentes, com 15% da população desempregada, infraestrutura destroçada por anos de falta de investimento, educação e ciência à míngua, endividamento público próximo de 90% do PIB (Produto Interno Bruto). Apesar disso, o número de super ricos aumentou 44% em 2021, com capital concentrado de 219 bilhões de dólares na mão de 65 brasileiros. 
Pesquisa XP/Ipesp mostra que 65% dos brasileiros são favoráveis à intervenção do Estado na economia na pandemia. Como diria Raul Seixas: “Eu sei que até que parece sério, mas é tudo armação, o problema é, muita estrela, pra pouca constelação”. 
 

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