Prudente contabiliza 92 transplantes de órgãos

PRUDENTE - THIAGO MORELLO

Data 24/01/2018
Horário 11:49

Em 2017, pelo menos por 92 vezes a área médica felicitou a oportunidade de realizar transplantes de órgãos e tecidos em Presidente Prudente. Em 2016, a quantidade de procedimentos chegou a 110, o que mostra queda de 16,36% de um período para o outro. A quantia leva em conta os dois hospitais que realizam as cirurgias no município, isto é, o HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo e a Santa Casa de Misericórdia. Apesar da queda, ambos justificam que, o mais importante, é a quantidade de doadores, que permaneceu praticamente a mesma.

No caso do HR, em 2016 foram 71 transplantes e 24 doadores, enquanto que em 2017 foi de 55 procedimentos e 22 doações. A partir disso, o médico coordenador da Comissão Intra-hospitalar de Transplantes, Renato Mazaro Ferrari, explica que estatisticamente falando não foi insignificante, pois consideram como se fosse a mesma coisa, levando em conta que os pacientes em que as famílias se dispuseram a liberar o procedimento foi o mesmo. “O que difere é o aproveitamento dos órgãos, em comparação de um ano para o outro”, ressalta.

E para explicar isso, o médico coordenador da Comissão Intra-hospitalar de Transplantes da santa casa, Carlos Eduardo Bosso, fala que outros fatores são levados em conta para a realização dos transplantes. “Existe uma fila de espera a ser seguida, na central do Estado, que, a partir do momento em que um órgão fica disponível, ela vai destinar o local correto. Quem recebe o órgão é o primeiro da fila que possuir a compatibilidade”, argumenta. Desta forma, não necessariamente a destinação será para Presidente Prudente, mesmo o paciente sendo daqui.

Na santa casa, Carlos lembra que em 2016 foram 39 transplantes, sendo 37 de córneas e dois de múltiplos órgãos, e 2017 foram 37, que representa 36 de córneas e um múltiplo. Além disso, nos dois anos foram, respectivamente, 70 e 68 doações de córneas. “Então, é mais importante avaliar a quantidade de doadores do que de transplantes”, diz.

Em ambos os hospitais, tanto Renato quanto Carlos lembram que a maior dificuldade hoje para conseguir novos doadores ainda são as famílias, que possuem certa resistência. “O que a gente percebe é que se trata de um momento delicado, pois a família tem pouco tempo para decidir se quer doar ou não. E muitas vezes, no momento do choque, acaba ficando com medo e optando pela negativa”, fala Carlos.

Para que isso não ocorra, o médico do HR garante que o necessário é avisar os familiares ainda em vida sobre a vontade de ser doador de órgãos. “A decisão, no momento triste, fica muito mais fácil, pois as famílias vão entender que era uma vontade existente já”, destaca. No entanto, Renato frisa que no HR, o índice de aceitação das famílias cresceu, saltando de 52% para 74%, de um ano para o outro. O tempo de liberação do corpo, após a aceitação dos membros familiares, é de no máximo 24 horas.

E isso acontecendo, o hospital vai avaliar os órgãos e tecidos, ver a qualidade e, em seguida, notificar a central para localizar o receptor. Daí em diante, o hospital responsável pelo paciente escolhido na fila de espera para receber a doação, cuidará da captação, que é realizada aqui em Prudente, mas pela equipe receptora.

 

SAIBA MAIS

No Hospital Regional de Prudente, os 71 transplantes de 2016 envolveram quatro corações, dois pulmões, 11 fígados, 46 rins, oito ossos, 44 córneas e três de pâncreas. Já em 2017, foram quatro corações, dois pulmões, oito fígados, 36 rins, 32 ossos e 32 córneas. Um paciente pode receber mais de um órgão. Os órgãos que devem ser transplantados mais rápidos são: o coração, em quatro horas, seguido do pulmão em cinco e o fígado, em oito horas.

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