Quarto de Badulaques - XVII

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 22/11/2020
Horário 05:00

A doença pode ser uma oportunidade. Para os gregos, a tarefa mais importante do médico não era curar as doenças, mas ensinar a arte da vida saudável. A Igreja, em seus inícios, assumiu esta tarefa; e ela entendeu o caminho da espiritualidade como um caminho para uma vida saudável: a ascese visa à saúde, e as festas existem para que as pessoas se revigorem. Segundo C.G. Jung, o ano litúrgico [que termina esta semana com a festa de Cristo Rei] é um sistema terapêutico. Ao longo do ano, ele celebra festas nas quais se exprimem os temais mais importantes da alma humana. Mas a espiritualidade cristã sempre soube que a doença e o sofrimento pertencem à vida humana. De acordo com ela, ficar doente não significava nenhum fracasso no caminho da espiritualidade. A doença era vista como uma oportunidade para abrir-se ainda mais para Deus e para a sua própria verdade. Ainda que eu me alimente de modo saudável e pratique esportes, eu posso ficar doente. A doença aparece de repente, ela se impõe a mim vinda de fora. E a arte de que falei consiste em abrir-se, em razão da doença, para o mistério profundo de todo o ser; ela consiste em tirar todas as máscaras e em entrar em contato com o nosso Eu verdadeiro e genuíno. (Anselm Grün)

A vida espiritual é a vida vivida no espírito de Jesus. Falei da Eucaristia como sendo o centro dessa vida. Jesus é mais, muito mais, que uma figura histórica importante que nos inspira ainda hoje. Na Eucaristia, Ele liberta-nos das restrições e das coações, une o nosso sofrimento ao seu, constitui uma comunidade na vulnerabilidade partilhada, oferece-nos um amor que perdoa mesmo os nossos inimigos e nos ajuda a ver Deus no isolamento do coração humano. Onde há Eucaristia, Jesus está realmente presente; onde há Eucaristia, a Igreja é verdadeiramente um corpo; onde há Eucaristia, partilhamos, agora mesmo, a vida eterna. Tu [meu sobrinho Marcos] e eu, ambos, somos chamados a ser discípulos de Jesus... O que conta é estar atento a todas as vezes que a voz do amor de Deus nos convida à obediência, ou seja, a uma resposta generosa. Como podemos continuar a ouvir esta voz num mundo que faz tudo para nos distrair e captar a nossa atenção para assuntos aparentemente urgentes? (...) três maneiras que para mim se revelaram mais frutuosas: ouve a Igreja; ouve o Livro, ou seja, lê a Bíblia [lê livros acerca da Bíblia, da vida espiritual e dos ‘grandes santos’]; ouve o teu coração, pois é lá que Jesus te fala com mais intimidade. Estas três formas de escuta vão guiar-te numa vida espiritual cada vez mais profunda. (Henri J. M. Nouwen)

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

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