Reeducandos do semiaberto reformam escola estadual

PRUDENTE - Victor Rodrigues

Data 23/07/2016
Horário 09:39
 

Os reeducandos do regime semiaberto da Penitenciária Wellington Rodrigo Segura, no distrito de Montalvão, em Presidente Prudente, realizam a pintura e reparos do sistema hidráulico da EE (Escola Estadual) Professora Anna Antonio, também em Prudente, neste período de férias. A ação faz parte de uma iniciativa da Via Rápida Expresso, em parceria com a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) e a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Os trabalhos, iniciados no dia 18, contam com 19 sentenciados. A previsão é que os serviços sejam concluídos no dia 29. De acordo com a SAP, a ação se trata de um curso composto por dois módulos, com 30 horas de aulas teóricas e 70 horas de aulas práticas. E são nas aulas práticas que os serviços são executados.

Jornal O Imparcial Serviços são realizados pelos detentos durante aulas práticas

Segundo Ilário Francisco de Sá, diretor do Centro de Trabalho e Educação da penitenciária, a SAP e a Via Rápida Expresso possuem um cronograma de atividades voluntárias em repartições públicas, com a participação dos sentenciados em regime semiaberto. "É notória a satisfação que eles têm em trabalhar em prol da comunidade. Alguns me disseram que, no passado, foram protagonistas de depredação escolar. E hoje estão ajudando a reformar a escola", relata.

Esta já é a quarta turma da unidade que faz o curso de pintura e instalação hidráulica. Ao todo, cerca de 100 detentos foram beneficiados com  o curso. A cada três dias de trabalho e 12 horas de estudos, eles têm um dia a menos de pena para cumprir em cárcere, e os serviços são remunerados. O objetivo, além da ressocialização, é ensinar novas ferramentas para estimular a reinserção no mercado de trabalho.

"Como já estão no final de suas penas, estes programas qualificam e dão uma melhor margem para uma nova vida, quando ganharem a liberdade. É um grande beneficio, sem dúvida", comenta Ilário.

A diretora da escola, Maria Floriza Vilela Telles, está contente com o resultado. "Aprovo e recomendo o programa. Estamos abertos para recebê-los em outros treinamentos. Aproveito para agradecer a todos que se empenharam na realização deste trabalho. Os reeducandos agem com muito empenho", elogia.

 

Reeducandos

A expectativa de concluir a pena, trabalhar em prol da comunidade e aprender um novo ofício alegra os sentenciados. Um deles, de 26 anos, participou de outras ações com trabalhos em horta, rede de pesca artesanal, e também faz parte do grupo que atua na escola. "Este programa nos abre a mente para viver de uma forma melhor, de voltar à sociedade renovado, e seguir junto da família. A pintura e a construção civil é uma boa área de emprego. Possivelmente terei boas oportunidades em trabalhar com isso quando sair", declara.

Outro participante, de 25 anos, concorda com o colega e ressalta que os recursos recebidos na ação colaboram para arcar com despesas de transporte para suas casas, nas visitas temporárias. "É um grande aprendizado e ajuda a gente de várias formas", relata.

 

Em Pacaembu

A ação também é realizada na Escola Estadual Professor Joel Aguiar, em Pacaembu, com um grupo de reeducandos do Centro de Progressão Penitenciária da mesma cidade.

 

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