Região recebe 2,7 mil doses da vacina contra dengue para profissionais da atenção primária

Quantitativo deve contemplar 6,1 mil trabalhadores das redes municipais de Saúde; imunizante do Butantan induz proteção contra os quatro sorotipos

REGIÃO - DA REDAÇÃO

Data 09/02/2026
Horário 18:28
Foto: Governo de SP
Vacina do Butantan é a primeira do mundo em dose única e que induz proteção contra os quatro sorotipos da dengue
Vacina do Butantan é a primeira do mundo em dose única e que induz proteção contra os quatro sorotipos da dengue

O governo de São Paulo iniciou nesta segunda-feira a campanha de vacinação contra a dengue com a Butantan-DV, em todos os 645 municípios paulistas. Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo em dose única e que induz proteção contra os quatro sorotipos da dengue. Nesta primeira etapa, a imunização será destinada aos profissionais da atenção primária à saúde, da rede municipal. Para o início da campanha, o PNI (Programa Nacional de Imunizações) enviou 99 mil doses ao Estado. Dessas, a Secretaria de Estado da Saúde encaminhou 2.773 à região de Presidente Prudente. Do total, 1.466 doses foram destinadas ao GVE (Grupo de Vigilância Epidemiológica) de Presidente Prudente e 1.307 ao GVE de Presidente Venceslau.

A distribuição tem estimativa de imunizar 6,1 mil profissionais da atenção primária à saúde das redes municipais da região. O público-alvo também inclui aproximadamente 3,2 mil no GVE de Prudente e 2,9 mil no GVE de Presidente Venceslau.

A estratégia foi articulada pela CCD (Coordenadoria de Controle de Doenças), por meio do Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo, em parceria com os Grupos de Vigilância Epidemiológica de todas as regiões do Estado, o Cosems-SP (Conselho de Secretários Municipais de Saúde) e o Ministério da Saúde. Na última semana, a pasta promoveu a primeira reunião técnica com os GVEs, além de capacitações para a rede organizar a campanha.

"A tecnologia da Butantan-DV representa um avanço relevante ao permitir uma imunização mais rápida da população, além de reduzir custos e simplificar a logística de aplicação em campanhas de grande escala. Produzida em São Paulo, a vacina é resultado de anos de pesquisa e inovação científica e tem potencial para impactar diretamente a redução de casos graves da doença. A distribuição das doses foi coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde, com envio aos municípios de acordo com critérios técnicos e a capacidade operacional de cada região", aponta a pasta.

Eficácia e segurança

A aprovação da Butantan-DV é sustentada pelos resultados de cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3 encaminhados à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No público de 12 a 59 anos, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme. O estudo, conduzido entre 2016 e 2024, avaliou a Butantan-DV em mais de 16 mil voluntários residentes de 14 Estados brasileiros. Resultados anteriores do acompanhamento de dois e 3,7 anos foram publicados no The New England Journal of Medicine e na The Lancet Infectious Diseases, respectivamente.

Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o patógeno. A maioria das reações foi leve a moderada, sendo as principais dor e vermelhidão no local da injeção, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados à vacina foram raros e todas as pessoas se recuperaram.

Os benefícios da dose única foram descritos em um relatório publicado por pesquisadores do Reino Unido na Human Vaccines & Immunotherapeutics, em 2018. O estudo apontou que programas de imunização com menos doses estão associados a uma melhor cobertura vacinal e enfrentamento da doença.

Para ampliar o público autorizado a receber o imunizante, recentemente, o Instituto Butantan começou a recrutar voluntários de 60 a 79 anos para ensaios clínicos da Butantan-DV em quatro centros de pesquisa em Porto Alegre e Pelotas, no Rio Grande do Sul, e um em Curitiba, no Paraná.

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