Renda mínima

OPINIÃO - Walter Roque Gonçalves

Data 04/07/2020
Horário 04:25

A pandemia da Covid-19 evidenciou ainda mais as diferenças sociais que assolam o país. Em especial, milhares de pessoas que vivem do trabalho informal e estão vulneráveis neste momento. O auxílio emergencial é essencial para que estas famílias subsistam. Diante de tal cenário, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem estudado auxílio permanente, a renda mínima: dinheiro mensal que o governo irá garantir para população de baixa renda, mesmo depois que a crise passar.

O transtorno gerado pela pandemia ao que deixou uma herança: a ideia de implantar a renda mínima. Segundo artigo publicado na revista “Veja” de 24 de junho, “é consenso entre parlamentares e governo que, além do aspecto humanitário da questão, a retomada do consumo será primordial (...) é uma maneira de fazer a roda da economia girar”. Obviamente que todo o movimento tem conotação eleitoral, pois é este tipo de ação que gera votos. A questão é: como fazer algo assim com o nível de endividamento que o país se encontra?

A ideia de uma renda permanente pode parecer bem interessante, principalmente para aqueles que buscam a permanência no poder

Segundo cálculos do economista Marcos Mendes, o Bolsa Família somados com renda mínima demandariam R$ 370 bilhões por ano para o governo. Segundo o mesmo, “além de impagável, (...) o programa fomentaria a informalidade”, ou seja, tornaria mais vantajoso se manter à margem da lei. Momentaneamente é necessário o auxílio, não há dúvidas sobre isso, mas ao que tudo indica, tal ação poderia gerar efeitos colaterais indesejados e desequilíbrio ainda maior das contas públicas, além de prejudicar investimentos em áreas essenciais, como saúde e educação.

A ideia de uma renda permanente pode parecer bem interessante, principalmente para aqueles que buscam a permanência no poder, no entanto, a solução ideal passa pela correção de distorções, como diz o economista Milton Friedman, “o modelo (...) precisa ser acompanhado de uma profunda reforma tributária e previdenciária”. O cidadão menos favorecido precisa de ajuda e é obrigação do governo ajudá-lo, mas, sobretudo, é preciso gerar incentivos para que novos empregos sejam criados e cada vez menos pessoas precisem de tal ajuda.

 

 

 

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