Quando Deus criou todas as coisas, o Senhor colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo. Segundo o relato bíblico escrito em: Gn 2,15, trabalho estimula o ser humano a crescer e a desenvolver-se em sua identidade. Através dele, relacionamo-nos com Deus e com o mundo, demonstrando dignidade, ou seja, o seu valor humano pela semelhança com Deus e pelo zelo e responsabilidade que devemos ter com as coisas criadas. O trabalho agrega valor e propósito à vida das pessoas. Por meio dele, somos desafiados a desenvolver maneiras de agir, conhecer, construir, superar, encontrar soluções, cuidar e melhorar o ambiente em que vivemos. Assim, o trabalho não é originalmente ruim, mas um meio pelo qual o homem glorifica a Deus, cuidando da criação, de si e dos outros. Não à toa, muitos são conhecidos especialmente pelo ofício que exercem. O trabalho é, de fato, um bem para o homem e para a sociedade. Sabemos que o trabalho é uma das características que distinguem o homem do resto das criaturas. Somente o homem tem capacidade para o trabalho e somente o homem o realiza preenchendo ao mesmo tempo com ele a sua existência sobre a terra. Cristo antes de sua vida pública, viveu sob a obediência da Virgem Maria e de São José; e nesses muitos anos, que a Igreja chama de vida oculta de Jesus, Ele aprendeu com o seu pai adotivo, José o trabalho humano na oficina de Nazaré. Ao longo dos anos o trabalho era visto de diversas formas, na Idade Média, ele era interpretado como castigo, porque era encarado como uma penitência a ser realizada por conta da necessidade de sobrevivência. Portanto, essa interpretação mudou no Renascimento com o advento da Reforma Protestante, que teve início em 1527, quando Martinho Lutero, ele rompeu com a Igreja Católica e publicou as suas 95 teses na qual via o trabalho como um chamado divino. O trabalho, entendido como transformação da natureza para sobrevivência que surge na Pré-História, para garantir a sobrevivência. Por meio da caça, pesca, e as ferramentas que fabricavam de forma manual. Na Idade Antiga, o trabalho era realizado por escravizados sem remuneração e sem direitos. Na Idade Média, no Feudalismo, os servos cultivavam a terra em troca de proteção, presos ao local. No entanto, o trabalho remunerado e estruturado como emprego consolidou-se apenas com a Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX. Com o surgimento do trabalho assalariado, proletariado e fábricas. Por fim na Idade Contemporânea, temos o surgimento das leis trabalhistas e, posteriormente, a automatização e inteligência artificial. São José, operário celebrado no dia 1º de maio, se tornou o patrono dos trabalhadores, a Igreja se volta para a proteção daqueles que são tratados com injustiça e tem seus direitos violados perante o trabalho, assim, “a Igreja defende os trabalhadores de forma veemente, em seus ensinamentos, assegura que o trabalho é fundamento sobre o qual é edificada a vida familiar, que é direito do homem e da mulher por vocação”. Neste sentido, o Estado, as empresas e sindicatos têm o dever de lutar por políticas públicas para assegurar tudo o que é de direito dos operários e famílias em vista de vida digna.
MINI SERMÃO
O trabalho tem um papel fundamental na vida do homem. O ato de trabalhar nos transforma e contribui para a nossa realização. Além disso, ele nos torna mais úteis e dá sentido aos nossos dias. Quando dizemos, portanto, que o trabalho seja manual, seja intelectual, dignifica o homem, lembramos que é por meio dele que o homem obtém o pão cotidiano e contribui para o desenvolvimento das ciências e do zelo pelas coisas criadas por Deus. Sendo assim, se o trabalho já é edificante sob a perspectiva humana, quando se olha do ponto de vista espiritual, ele tem uma relevância ainda maior, por que glorificamos a Deus pelos dons recebidos por Ele e colocados em prática ao exercermos um ofício. São José é nosso grande modelo de trabalhador, ele ensinou Jesus um ofício em sua oficina. Jesus santificou o trabalho humano e o elevou a um nível de grandeza intelectual e espiritual. Agora podemos realizar atividades de forma digna e agradável a Deus e nos santificar por meio do trabalho. São José realizava o seu ofício; era um trabalho árduo, duro, como o de muitos hoje, mas nosso modelo de trabalhador mantinha um espírito de oração e de união com Deus. Tudo o que fazia era para Deus, inclusive o seu trabalho. Cumpria o seu dever com excelência, dedicava tempo à sua família e sabia a hora do descanso; não havia espaço para a preguiça, o trabalho mal feito ou o orgulho; e tudo isso ensinava a Jesus. Que São José operário interceda por todos os trabalhadores para que alcance as bênçãos em suas vidas profissionais.
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Padre Armando Nochetti
Admi. Paroquial da Paróquia Nossa Senhora das Graças – Montalvão
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