Senado inicia nesta quinta julgamento de Dilma Rousseff

Em Prudente, o último ato do movimento Vem Pra Rua, previsto para o dia 21, foi cancelado; hoje, UEPP lança projeto Voto Consciente, com o intuito de ressaltar a importância de pesquisar sobre os candidatos e se atentar à prática de atos corruptos

PRUDENTE - ANDRÉ ESTEVES

Data 25/08/2016
Horário 10:44
 

 

O Senado dá início hoje ao julgamento final da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), cujo destino no exercício da função deve ser definido na terça-feira. Caso 54 senadores, no mínimo, votarem a favor do impeachment, Dilma é destituída do cargo e se torna inelegível para qualquer cargo público por oito anos a contar de 2019. No seu lugar, assume o presidente interino Michel Temer (PSDB). Em situação contrária, a petista é absolvida das acusações e prossegue com o seu mandato. Dilma é acusada de crime de responsabilidade e por praticar "pedaladas fiscais".

Antes e durante o curso do processo, vários grupos a favor do impeachment promoveram ações de manifesto. Em Prudente, o último ato do movimento Vem Pra Rua, previsto para o dia 21 e organizado pela Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos do município, foi cancelado. De acordo com o presidente da Aliança, Arildo Cesar Chezlacki Junior, a organização escolheu não realizá-lo em virtude do período eleitoral e do andamento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. "As Olimpíadas tiraram o foco dos protestos, visto que o patriotismo falou mais alto. A população parou para torcer pelos atletas brasileiros, logo não fazia sentido retomar o manifesto", explica. Chezlacki aponta que, se o impeachment for aprovado, uma ação será realizada para comemorar o resultado.

O militante está esperançoso quanto ao placar da votação. "A questão do impeachment é irreversível. Assim que Dilma for afastada definitivamente, as melhorias devem ser concretizadas pelo presidente interino. Nos últimos 100 dias, fiscalizamos os atos tomados pelo Temer e foi possível concluir que algumas coisas melhoraram e outras, não, mas vamos continuar acompanhando e acreditando que a situação deve mudar", expõe. Chezlacki alega que a fiscalização da sociedade é crucial, sobretudo no momento atual, em que os candidatos estão começando a atuar em suas campanhas eleitorais. "Estamos voltando nosso olhar também para o município, em um novo projeto chamado Voto Consciente, a ser lançado nesta quinta-feira pela UEPP , visando conscientizar a população sobre a importância de pesquisar os candidatos, acompanhar seus passos no Portal da Transparência, e estar atenta a atos corruptos, como compra de votos, por exemplo", pontua.

 

A favor

A estudante Pamela Wruck, 24 anos, é a favor do afastamento definitivo de Dilma da Presidência da República, mas acredita que a solução não surtirá efeitos 100% positivos. "O Temer não deveria ser a alternativa. Penso que poderia ser aberta uma nova eleição e deixar o povo decidir novamente. Mas de momento, estou torcendo para a saída dela e de vários outros", opina.

 

Contra

O historiador Heitor Ribeiro não concorda com o processo de impeachment e acredita que o país vive uma fase de retrocesso. "Criminalizaram as ‘pedaladas’ que já haviam sido dadas em outros governos e não foram classificadas como crime de improbidade. Outro detalhe, as ‘pedaladas’ foram praticadas para cobrir projetos sociais e não foram desvios dos bancos públicos para contas pessoais", enfatiza. "O retrocesso que o país passará com o governo Temer é preocupante, principalmente por cortes nesses projetos", complementa. Para Heitor, a solução é a reforma política. "Mas disso o Legislativo não quer nem ouvir falar", realça.

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