Será que viveremos todos mais de 100 anos?

OPINIÃO - Sergio Munhoz Pereira

Data 10/01/2024
Horário 05:00

Esqueça esse negócio de que um dia vamos todos viver bem mais de um século, veja que a ciência atual ainda está muito longe de vislumbrar essa possibilidade como realista.
Pacientes e médicos deveriam estar ocupando muito melhor o seu tempo se traçassem uma estratégia para enfrentar o aumento da expectativa de vida média, pois as últimas décadas finais de vida da maioria das pessoas são, geralmente, de qualidade péssima.
Estamos longe de ter avanços em saneamento básico para todos, vacinação e antibióticos tanto importantes que nos ajudaram a vencer a guerra contra micróbios e vírus.
A maioria das pessoas parou de morrer de doenças infecciosas e começou a sucumbir, em geral na velhice, com as enfermidades crônicas. Hoje, a maioria das pessoas morre de problemas cardiovasculares, distúrbios neurodegenerativos, diabetes e câncer.
Seria tão bom oferecer às pessoas a mesma qualidade de vida de que gozam aqueles que chegam com saúde aos cem anos de idade, mas infelizmente ainda é algo que a medicina atual não é capaz de fazer, pois não foca a prevenção precoce.
Importante mostrar que a prevenção precoce é o caminho para as doenças da velhice. Na verdade começam a se instalar no organismo bem mais tarde, quem sabe depois dos 70 ou 80.
Mesmo na prevenção, a tecnologia permite a detecção precoce das primeiras células cancerosas ou dos primeiros problemas cardiovasculares, o que seria um avanço fantástico.
Mas uma receita simples é exatamente o que todo mundo sabe que deveria fazer, mas não faz: exercícios físicos regulares, alimentação moderada e saudável, sono regular, cuidado com a saúde mental.
Uma regularidade e uma intensidade muito superiores ao que a maioria das pessoas, mesmo com boas condições financeiras, seria capaz de encarar: treinamentos diários aeróbicos, de força, de flexibilidade que às vezes parecem trabalho em tempo integral.
Mas na realidade estamos diante de um desafio: é proporcionar a toda população a melhoria da assistência odontológica, assistência médica, vacinação maciça, programas públicos em praças com atividade física, enfim, um conjunto de serviços que, infelizmente, está muito longe de existir.
Assim, muitos querem viver acima dos cem anos, mas falta tanto por parte do serviço público, bem como da própria população, fazer o be a bá: bom saneamento com água tratada e esgoto, vacinação que consiga fazer cobertura das principais doenças da infância bem como da terceira idade, locais acessíveis para realização da atividade física regular e apropriada para cada faixa etária, e evitar substâncias que podem fazer mal à saúde, como excesso de sal, de açúcar, de gorduras, de produtos industrializados.
 

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