Serviço público de transporte urbano: quero pedir música no “Fantástico”

Roberto Mancuzo

CRÔNICA - Roberto Mancuzo

Data 01/06/2021
Horário 06:00

Mais uma paralisação no serviço público de transporte urbano em Presidente Prudente e em menos de um ano esta é a minha terceira coluna sobre o tema. Já posso até pedir música no “Fantástico”’: “Tadeu, toca aí ‘Apesar de você’, do Chico Buarque. Mas não precisa ser a música toda não, só este trecho aqui:

“Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia”

Narrativas à parte, ou nem tanto assim, mas já deu, né, gente? 
Chega desta situação. Não é possível que a maior cidade do oeste paulista, uma das maiores do Estado, tenha que encarar mais um ano sórdido em um dos mais importantes serviços públicos. 
Não é possível que nada possa ser feito para diminuir a angústia e a dor de milhares de prudentinos, usuários em geral dos ônibus na cidade. Dor que também é dos próprios servidores do transporte, que com justiça reivindicam quebras rotineiras de promessas e que nada mais fazem do que exigir direitos, como na paralisação que começou na última quarta-feira (26), com reflexos na cidade toda, e que pasmem: até a manhã de ontem, ainda não estava resolvida.
Vem cá: somente eu que acho essa demora em encontrar uma solução um absurdo? Em um município com mais de 200 mil habitantes? 
É importante frisar aos responsáveis por resolver esta questão, que cumpram o dever pelo qual são devidamente pagos e que de uma vez por todas façam um bom serviço.
Não é de hoje que a concessionária local estampa manchetes no noticiário. E sempre de maneira ruim, com problemas de toda espécie. Eu teria vergonha se fosse o administrador, mas não sou e durmo em paz. A questão é que cada vez que surge uma notícia de greve, ônibus quebrado, reclamações de atrasos, falta de comunicação ou a falta de bom senso de indicar um aumento jocoso de 78,58% no valor da tarifa, como a feita ainda no final de 2020, temos uma certeza: há uma parcela gigante de pessoas que não só sofre fisicamente nos pontos de ônibus ou dentro dos veículos, mas também emocionalmente. Porque a raiva por pagar tanto e receber tão pouco por um serviço público um dia cobra o preço e pode apostar que não será das autoridades responsáveis. Estas, aliás, parecem dormir em berço esplêndido em cima das notas bem toscas que mandam para a imprensa e que não resolvem nada.
Não é de hoje que ressalto aqui também este problema: uma empresa concessionária de serviço público não pode se dar ao luxo de não ter um sistema decente de comunicação e nem a Prefeitura pode aceitar isso. O site da empresa é desatualizado, as redes sociais são fracas e dificilmente respondem qualquer comentário e, sem chance em haver uma só pessoa, um nome, que apareça publicamente para dar respostas melhores do que as já prestadas. Em tempo, a Prefeitura também está devendo isso: no site oficial ou no Facebook, por exemplo, até o final da manhã de ontem, nenhuma palavra ou orientação. Um cidadão que acordou cedo e quis saber se poderia ir ao ponto de ônibus em paz teve que ligar onde? No sindicato? Há motivo para este silêncio?
Fato é que um serviço de concessão pública não pode ficar neste estado de vergonha e leniência. O que se espera é que a empresa receba o que está na lei e que por isso se desdobre em uma administração mais efetiva e competente para mudar este quadro. E se a desculpa é a Covid, sinto dizer que a pandemia veio para todos não só para ela.
O prefeito Ed Thomas (PSB) e toda Câmara de Vereadores de Presidente Prudente têm pela frente um grande desafio, junto com a questão da saúde no município: colocar fim a esta brincadeira de mau gosto a que prudentinos em geral estão expostos. Mas fim mesmo, porque de promessa a vida está cheia e de perda de tempo também. Já deu.
 

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